sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Louca?


Se tem uma coisa de que gosto, muito, e a cada dia me encanto mais são as palavras. Como fazem chacota , e brincam, como fazem de qualquer monossílabo, festa. Fico imaginando, pro vezes, um estrangeiro, tentando entender nossa língua, muito além de suas regionalizações e , sim, as mil possibilidades de cada uma.
A palavra sonho, por exemplo. Se vem como verbo, meu alimento na primeira pessoa: eu sonho muito. Tu também sonhas, todos nós sonhamos, ainda bem. Se substantivo, o sonho, nossos sonhos todos dentro dele, consciente ou insconscientemente. Tenho muitos sonhos, de olhos fechados e  de olhos abertos, esses, os melhores. E ai tem o doce - ou o pão, ou sei lá como definiriam os padeiros. Aquele, docinho - aqui no sentido de querido, amado, e não de sabor - envolvo com o mais delicado açúcar.  Que pode ser uma coisa aqui e outra acolá. Um sonho que pode ser com ou sem recheio, e esse de vários sabores, o meu de goiabada, o dele de doce de leite.  E isso me lembra minha eterna brincadeira de roda, meu deleite, doce deleite. E pode ser um doce de pessoa, meu deleite. Ou um doce de qualquer coisa que nos pareça delicado, bom bocado, bom demais da conta. Um doce de palavra, não? E nem falei do sonho de valsa, que nem dança, mas acalma a alma...
E será que a palavra casa tem a ver com o verbo casar? Quem casa quer casa, dizem. E tem a casa do botão, o de roupa, não o de rosa, ai, que confusão! Bom, até a palavra palavra tem lá sua indiscrição. Pode ser um palavrão, coisa boa de se dizer na hora certa. Ou dar uma palavrinha, na verdade muitas, ao pé do ouvido - um pé que ele nem usa para sair do lugar. E tem gente que ainda diz: sou todo ouvidos....Com a palavra quem acha que não tenho razão!
E a palavra mão? Coitada, muita função: mão de tinta, mão de dar uma mão - quando, na verdade, se quer as duas que,  às vezes, até se desfigura em dar uma mãzinha...Mas as confusões com nosso corpo não terminar ai. E o olho que pode ser tanta coisa? Olho de sogra, que não se arranca, mas se come, porque é doce ( olha o doce ai de novo...). Olho do furacão, onde volta e meia me encontro. Fica de olho ai, diz a desconfiada. Estou de olho em você ,diz a antenada. E ainda tem o olho gordo, que nem adianta fazer dieta: existe, muito, e é enorme. E o olho só de olhar...primeiro, mas não único. E tem, ainda o pé de meia, o pé de valsa, o pé ante pé, vai num pé e volta noutro - menos o Saci. E tem o perna de pau no futebol e o passar a perna de muitos. Ah, e o pé de moleque, de novo um doce...E o pé de boi, que é um pé no s....Esse, mesmo, coitado, mil e um significados: saco de dormir, saco de lixo, saco disso, saco daquilo...E  a cabeça? Cabeça de cebola ou de alho, bom tempero. Melhor que ser cabeça dura é bater papo-cabeça. Só não dá para perdê-la - anão ser que seja por um ótimo motivo! E tem o braço de rio, que leva longe...Mas eu prefiro mesmo é um a-braço, usando os dois, e bem apertado!
E tudo isso só para distrair minha mente que anda demente de tanto pensar. Pensar no meus sonhos, de olhos bem abertos. E nos caminhos a tomar!

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo
...'
Mário Quintana

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