domingo, 16 de outubro de 2011

Fato



A vida é mesmo estranha. Respostas  - ou mais indagações? - vêm de onde menos se espera, e trazem ao meu rosto que anda cansado de tanta tristeza alguns sorrisinhos disfarçados.
Lendo um livro para prosseguir na busca de conhecimento sobre um trabalho que nem sei se vou levar adiante, tamanha lista de porquês, deparei-me com debates e citações que "provam", no sentido de dar voz e não de experimentar ( ah, esse nosso português...) o que penso sobre homens e mulheres, suas reais diferenças, e de onde vieram.
Voltei ao mundo das cavernas. Elas - no caso nós, se formos citar gêneros - ficavam com a prole - nome fácil para tanta coisa junto, alimentando como dava, cuidando e protegendo com a  ajuda sabe-se lá de quem, enquanto os machos saiam para suas "buscas", muitas sem volta, para aventurar-se à procura de  alimento.  Pois bem , imagine assim: elas enredadas por um mundo pequeno, "protegido" e protegendo, com pouca novidade, um fazer o de sempre, enquanto desbravadores ganhavam o mundo - como ganharam, depois, pelos mares e caravanas por ai.  Se paramos para pensar, a diferença é que hoje eles têm, salvos alguns mais soltos - hora e data para voltar. mas o que acontece enquanto estão fora, melhor nem Deus saber. Ou, se sabe, nem tem coragem de contar.
E onde ficam nós, as mulheres? Até podemos dizer aos quatro ventos que, sim, somos profissionais, mulheres de sucesso,trabalhamos fora - um grande erro,histórico,  se pensarmos que só acumulamos mais e mais funções além - lar. Mas ao primeiro aviso de perigo de nossa prole - febre, espirro ou, livrai-nos, coisa pior - lá estamos nós, à postos. Não mudamos muito nesse quesito: nossas bisavós eram assim, nossas avós eram assim, nossas mães. E, com certeza, nossas filhas serão. E está lá no livro - sobre a história de uma cidade , baseadas em memórias dos anos de 1950: a visão, a memória das mulheres vêm de dentro para fora, ou seja, do lar, dos filhos, da relação com o marido,  para a cidade, se essa couber. Somos assim, de dentro para fora. naquele século, nos anteriores e nesse - quem sabe no próximo. Somos várias, mas todas encarceradas dentro da tarefa de ser mulher.
E o que tem na memória dos homens? Trabalho. A vida deles é contada a partir do trabalho. Da sua relação com o trabalho, tendo ele como ponto principal. E da família, se couber. Ou da família, que existe porque ele tem como manter. Porque ele dá o que ela precisa com o fruto de seu trabalho. Simples assim. Não, não sou eu que estou afirmando, são os livros, os pensadores, as teorias colocadas em prática. Peça a um homem para falar de sua vida e ele, já na segunda frase - se não de cara - falará de sua vida profissional. E trará a família encaixada nesse enredo, feito um fim e não começo. Se fizer o contrário, segure-o: vale ouro.
Duro de crer? Olhe para você. Veja qual é a primeira coisa que você pensa ao acordar. Ou, se pensou algo diferente, em você ou nas suas coisas, esquece tudo se um filho pede ajuda. Ou a mãe, ou o pai, ou seja lá quem for. Depois você vê o que faz com o "resto". Se não é assim, sinta-se uma privilegiada. Como poucas.
Amarga? Não, sincera. Vivemos para amar, mesmo que não sejamos. São as migalhas de que falo. Mas não custa alertar que , depois de anos fazendo isso, a mais pura dedicação, não espere consolo, nem troféus, quiçá agradecimentos. Porque os papéis que nos deram são bem "resolvidos".  Viram obrigação.  E não tropece, não tente sair da linha, não procure felicidade longe disso. Não procure amor além da trivialidade da vida. Porque o que lembram  de nós são nosso erros, sempre. E não o que fizemos de bom. Sendo mais direta: tudo não será o suficiente.

"Na vida do homem, o amor é uma coisa a parte, na da mulher, é toda a vida".
Lord Byron

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