segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Leve...



"O destino conduz os que querem ser conduzidos e arrasta os que não querem
Eu tenho andado mais ou menos de arrasto...
Nem sempre quero ir para onde o destino me leva."

Estava uns dias sem escrever, não por vontade própria, mais por freios que os outros põem  - ou tentam por - na gente e a gente deixa, feito cavalo encilhado. Ele, o cavalo, tem serventia. A gente, encilhada, nem tanto. Cuida do que fala, do que escreve, do que vive. Pisa em ovos, não anda. Mas Érico Veríssimo definiu-me. E me mostrou que não estou só. Que a vida é assim mesmo, muitas vezes um deixar levar de arrasto, feito folha no vento. E depois ver no que dá. Ou, como quem nada contra a corrente, esperar o melhor momento se de soltar e seguir livre. Ou como quer.
Imaginei essa frase no meio de uma cena de  filme, na boca de mulher, mas só em off. O vento do sul, uivante, as folhas seguindo seu destino. Ela olhando pela janela como quem sonha sair e pisar na grama, quem sabe dançar com as folhas. Ou simplesmente pelo prazer de sair, descalça, cara ao vento, cabelo revolto, enfim, solto, feito crina, saias dançantes, grandes revoadas. Cena boa, refaz a liberdade. Sentir o cheiro do mato não é para qualquer um, só para quem gosta de viver intensamente a vida.
Como ela sonha.
Mas, voltando ao século XXI  - e a mim , que moro na cidade e nem sequer tenho grandes vestidos nem o cabelo volumoso que imaginei - , vento  traz essa sensação, mesmo momentânea , de liberdade. Sensação de sair por ai, feito folha ou flor, de deixar o assoviar do vento preencher meus pensamentos e me deixar nua por dentro. Levar de mim a brisa quente da mesmice e deixar entrar a brisa  jovem da novidade, do que é realmente meu, puramente meu. Eu como sou. Do que sonho. Do que quero. Do que já tive e sei bom. Da vida leve, simples, sem encargos nem possessões, a não ser as que me dôo de coração, peito aberto.
Tem vezes que um simples pensamento soa como brisa e leva agente longe, longe...Está ai a verdadeira força de um poema, de um poeta. Tomara ele saiba.

Um comentário:

  1. Adorei. Vi a cena, viajei. Fui longe. És poetiza também.
    Clau

    ResponderExcluir