segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Asas


Tenho vivido dias estranhos, ao mesmo tempo cheios de expectativas e de muita espera. Eu sonhadora que sou, sou ótima em expectativas, mas não sou boa em esperas. Nunca fui. Mas, dizem, sempre há tempo de se aprender, e estou, pelo menos, tentando. Dessa lição, uma, séria: tudo vem a seu tempo. E tudo tem dois lados, um bom e um que achamos ruim, mas podemos, com o tempo ver que também ele era bom. Ou até que ele era o lado bom da história. O lado bom de tudo isso é a minha espiritualidade, em alta. desde as beijocas na careca do meu Francisco, o santo, até os bons pensamentos pelos meus queridos - e nem tanto - antes de dormir. Sim, melhor arma não há: pensar bem sobre tudo e todos. Os que queremos perto e os que queremos longe. Aceitar que só me vem o que é meu, e só o peso que posso suportar. Medo, tenho, e dai? Medo , aprendo, é bom, faz você pensar não duas, mas várias vezes antes de pular - antes de escrever, antes de falar, de provocar, de querer saber. Antes de meter os pés pelas mãos...
Então, aprendo do meu jeito. Colei no meu lap, esse meu eterno companheiro que me dá acesso ao mundo e á mim mesma, posto que me escrevo, um recado: "você não viu nada". Uma frase simples, poucas palavras, mas que me dizem muito. E várias coisas ao mesmo tempo, coisas das palavras. Não vi nada no sentido de não catar cabelo em ovo, como dizem. E eu completei, brejeiramente, outro dia, com " quem cata cabelo em ovo, faz trança", verdade que me veio do nada - ou do tudo. Se a gente procurar, acha. E , muitas vezes, é melhor não achar. Quem acha não tem certeza. E  a não certeza faz de nós sofredores e sofredoras por antecipação. Faz crescerem não só cabelo em ovo, como alimenta os micos do sotão, dá vida longa a monstros e fantasmas. Quem sabe a Saci Pererê, o bicho de sete cabeças e todo o imenso repertório de seres estranhos do folclore brasileiro. E isso faz com que eu pense, sim, e reflita, sim, mas cada coisa  a  seu tempo, pedindo " ajuda aos universitários", esses loucos todos que moram dentro de mim - e nem sempre me ajudam. E enquanto eles não chegam a um único veridito, a uma única verdade, sigo levando. Não feito balão solto ao vento, sem eira nem beira, louco para estourar, mas feito pipa que, como descobri outro dia, sobe com o vento contrário, sabe a hora de se puxar para subir. Ou pelo menos chegar onde quer chegar. Vira asas.
Bom saber que tudo o que a gente vive um dia, enfim, cedo ou tarde, passa, vira lembrança. Vira lição. Vira piada , boa ou de mal gosto. Vira memória a ser esquecida ou contada. Quem sabe um dia eu desabafe minha vida toda bem vivida em forma de palavras impressas sobre um papel, um papel reciclado, com eu estarei, outra.

"Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força.
Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves,
certos momentos nem o tempo apaga..."
Caio Fernando Abreu

E é desses momentos que a vida não apaga que a gente vive. Nem que seja de lembranças...
Quem sabe vira tatoo?

2 comentários:

  1. Verdade!!! me achei ai entre as palavras ditas e não ditas.... nas entrelinhas...com a sabedoria que só se ganha vivendo esse brazeiro todo na carne....mas é isso ai,é um trabalho minucioso e diário, sobreviver e sobreviver para um mundo muito melhor...bjks mil Joyce.

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