domingo, 6 de novembro de 2011

Dominguando...



O domingo não deveria ser dividido em tique-taques das horas...
Domingo deveria ser contato em suspiros...
Suspiros pela palavra bem escrita e bem lida, suspiros pelo canto dos passarinhos,
o vai-e vem das águas,  o passar calmo do dia...
...Domingo deveria chover...

Assim comecei meu dia, pensando. Porque tanta gente famosa ou desconhecida detesta o domingo? Clarice o diz oco, dia de perder a infância. Quintana o diz chato, feito o céu.  Martha diz que tem que ter sol, senão não há. A mim, parece adiantarem a segunda, sofrer por antecipação, fazer do dia um longo e terno esperar - ou uma desforra, um vale -tudo. Eu , do contra, amo, principalmente se não tiver "nada " para fazer. E nesse "nada" tanto, e a gente nem se dá conta, o real viver, vivenciar. Mas não foi sempre assim. meu pai me ensinou que domingo era dia de estar longe, de sair, de movimentar, e isso me pesou por longos anos. Dia de praia, estrada ou campo, nunca de ficar onde se está, porque ficar era tédio.
Minha calmaria domingueira , essa boa companheira, aprendi com o amor, esse que me trouxe inteira de volta, que me redescobriu. O amor não tem pressa, vive devagar, tem lá ele o seu tempo.  O amor não tem relógio, não tem pressa, nem precisão.Tem preguiça de sair lá fora se aqui dentro é bom de passarinhar. Domingo é dia de se ser por inteiro. De se ser sem se importar. Ler o livro que me espera ao lado da cama, quieto, desde a segunda , quando larguei-o ali. Escutar as músicas na "vitrola", botar os cds para tocar, dançar sem vergonha. Comer sem hora, rir sem motivo, sonecar se quiser e quando dá. Dia de deixar o carro na garagem em merecido descanso, sair para passear, assim, de mãos dadas com o mundo. Um passear de lesa, descobrindo ruas novas, catando folhas, observando as janelas que nunca se vê e ficar pensando quem vive lá. Domingo, para mim, essa que me sou hoje,  é dia de vadiagem, uma vadiagem  boa e sem culpa, um viver sem pressa de acabar. Ficar na cama até mais tarde, não prá dormir, mas para se enrroscar. Domingo é dia de fazer o que se gosta e que a semana não dá lugar. Domingo é dia de ser, mas sem atropelar. Domingo é dia de se amar. Bom para quem não tem filhos (risos).

"Segunda de mera ilusão,
Terça, felicidade,
Quatro dias solidão,
Domingo pede saudade".
Janet Zimmermann

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