quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Esperando



Hoje falava de Caio Fernando Abreu, paixão da vez. Não o homem, mas suas palavras, essas velhas conhecidas minhas, serpentes encantadoras de mulheres românticas e sensíveis, como eu. Ou simplesmente Caio. Que, conforme confessei, "amo, mas dói...a gente, muitas vezes, não quer ver a verdade...e ele nos "despe", despudoradamente!" Caio me deixa nua a ponto de ficar ruborizada...carne viva de me ser.
 Quem é Caio?  Quem é esse homem capaz de me deixar sem palavras? Bem dosada e feliz a descrição que achei , "o escritor gaúcho que faleceu há 15 anos, vítima de complicações decorrentes da AIDS, nunca esteve tão vivo. Seu sucesso parece tão vasto quanto sua obra. Ator, astrólogo, jornalista, roteirista, lavador de pratos, viajante, jardineiro, dramaturgo, hippie, mas acima de tudo um escritor, como ele mesmo definiu. Caio foi um pouco de todos os personagens de seus livros".
Para mim um amigo, daqueles "chatos", cutucantes, apontador do dedo indicador, que me faz sangrar , não o sangue vermelho verdadeiro, mas o sangue doído e doido do que é real. A verdade dói quando não se aceita. Quando se contorna para não saber. Talvez porque saiba que é assim a vida, esse sangra e seca, esse endurecer até virar casca, até se curar - se é que tem cura.  Ou se cutucar  a ferida até sangrar de novo...Talvez porque tenha conhecido as dores do amor - talvez  um amor já morto, mas ainda não enterrado, embalsamado por nós. Endeusado. Amores para quem se ergue um altar, e se venera, e se ilude. Que se reza, para quem se acende velas, se faz promessa. Porque se sabe único, ou se sonha ser - ou ter sido. Como se a gente mantivesse ali acesa uma chama, com medo de apagar. Será que vale a pena? Ah, Fernando -  desta vez o Pessoa -  nem me venha com essa de que tudo vale a pena, só porque sabes que a alma de quem ama nunca é pequena!
Será até quando esse sofrido esperar?
Mas Caio não é só dor. Nem só ferida. Eu, mulher faceira e otimista, ponho meu melhor vestido e fico com a frase para mim mais esperançosa, teimosa que sou:

"Quero mais, quero o que ainda não veio."

  Caio, o de Abreu, agora tão meu...

Um comentário:

  1. Adoooro seus textos! Mesmo, de verdade. De um jeito bacana e sem firulas fala de coisas que acredito que muitos pensem - pois se identificam tanto - , mas não conseguem expressar (eu, ao menos). Só tenho a agradecer por compartilhar conosco tuas palavras..."simples palavras"...que nos enriquecem tanto!
    Beijos,
    Fabiana

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