quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tesouro



Hoje pensava nisso, enquanto ria sozinha em frente ao espelho, eu comigo mesma, e  deixava escapar sorrateiro, aquele sorrisinho indecifrável, como quem deixa a alegria  escapulir devagar. Um dos melhores presentes que alguém pode ganhar da vida é um amigo de verdade, seja ele homem ou mulher. Aquele que a gente corre para contar uma novidade, alegre ou triste. Em quem a gente pode confiar um segredo sem nem se preocupar. E muitas vezes nem se precisa de palavras: ele sabe. Alguém para quem a gente pede ajuda ou conselho - e escuta. Ou ajuda, sem que se peça. Que torce por nós como para o time de futebol. Que lê o interminável texto que acabamos de escrever  - e com gosto - só para nos entender mais, ou se achar. Que nos abraça quando choramos e nos deixa fazer o mesmo. E nos faz ver que somos belos como somos, sem tirar nem por. Que se pode contar para o que vier, e o que não vier, e sem medo de errar. Que nos deixa virar criança outra vez. Que se pode falar abertamente, como quem conversa com a gente mesmo. Com quem a gente pode se abrir porque não vai nos cobrar. Que a gente está sempre querendo ver bem, porque ele sempre pensa assim também. Que se elogia coisas que ele nem imagina - ou mesmo detesta - como a cor do cabelo ou as rugas na face - e ele custa a acreditar. Que ri quando a gente erra no sal, e faz disso piada para um dia todo - uma vida, se lembrar. Que faz a gente rir das nossas próprias manias, que aos outros incomoda - e a ele não.  Que faz palhaçadas na nossa frente que nunca faria na frente de outro qualquer - nem os ditos "mais íntimos". Que faz palhaçada até na hora que não se pode, porque para ele tudo pode. Que respeita o nosso choro na  cena brega do cinema - e até acha bonitinho. Que acha graça da gargalhada escancarada que se dá, aquela que todo mundo olha torto, e gargalha junto, só para acompanhar. Que nos dá a última garfada do que quer que seja só para se livrar da nossa cara de pidão. Ou enfia logo na boca só para ver a nossa cara de decepção, pois se diverte. Que vê nossos defeitos, mas disfarça, sabe de nosso vícios e nem chama a atenção. Que respeita a nós até mais que a eles mesmos. Que nos admira até mais do que  se admira. Que faria qualquer coisa para nos ver melhores e com nosso melhor sorriso colado na boca.
Um tesouro. Quem tem alguém assim do lado - ou longe -  tem um tesouro. Desses que os piratas vivem à procura e nunca encontram, de tão raros , uns disfarçados de amor. Destes que as pessoas menos crédulas nem acreditam - e desconfiam de quem diz ter. E eu estou feliz , muito feliz, em poder dizer que tenho. E que amo ter! E que sou muito grata a isso!
E, enfim, entender e poder dizer , feito Clarice:

"Mas você - eu não posso, nem quero explicar - eu agradeço".
 


Um comentário:

  1. Êta!!! Mas essa guria tá escrevendo cada vez melhor, sô!!
    Bjus,
    Meg

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