terça-feira, 22 de novembro de 2011

Trava



"O problema é a espera.
Esperamos das pessoas, das coisas, dos fatos, de nós mesmos... "
Caio F. Abreu

Caio Abreu parece ter tirado de mim uma grande descoberta. E brinquei com ele, deixando esconder de mim verdades, feito criança que se sabe errada, mas não dá o braço a torcer. Como quem fala com ele, assim, cara a cara, olho no olho (quem me dera ter a permissão de tão iluminado momento...).
- Esperar de deixar o tempo passar, ficando parada onde se está?
Ou um esperar romântico,  de ter esperança?
Esperar, inerte, seca, pés travados e coração a mil, não gosto, mas aprendo. A vida tem me ensinado da pior forma, eu que sou elétrica por natureza. Tenho tido a forte impressão de estar constantemente sendo arguida, passando por testes, aqueles tão sonhados, e por isso tão desesperadores, definidores de uma vida. Como o pai sentado na sala de espera da maternidade. Ou a mãe, sobre saúde do filho. Ou ainda o jovem tentando ler seu nome na lista da faculdade.
Sinto essa ansiedade a cada dia que passa. Procuro meu nome incessantemente na lista dos felizes. Meu momento é assim perturbador. E desvio meu olhar para não enlouquecer - ou travar de vez. Escrevo, rio e faço rir, deleito-me com coisa pouca, admiro coisas boas para ver se afago o coração. Leio poesias como quem  procura a cura, ponho no papel meus sonhos da vez. Porque tenho aprendido com a vida que quanto mais se espera, mais o tempo trava, o relógio pára, mais perguntas sem resposta, mais peso no passar das horas. Quanto mais corro atrás, mais a coisa se afasta. Então, resolvi me afastar eu, sentar e ficar à espera, mesmo que do nada. Porque não depende só de mim. Porque o outro tem que querer. Porque o outro tem que ser.
Talvez Caio tenha razão. Talvez a gente espere demais da vida, dos outros, do outro. Pior: talvez a gente espere demais da gente mesmo, feito pai atroz. Talvez seja mesmo tudo ilusão. Talvez eu me cobre demais para ser feliz, como uma obrigação, não presente. Não uma resposta ao meu jeito de ser e de agir. Talvez seja hora de acordar e ver que preciso muito pouco para ser feliz. Que preciso esperar menos. Que preciso de mim mesma. Que preciso me fortalecer, me conhecer e reconhecer, se for o momento certo. Preciso me aceitar como sou. E aparar as arestas. Acertar meus ponteiros, fazer o meu eu girar. E o que depender do mundo, esse vasto mundo, melhor sentar. Se não veio hoje, quem sabe amanhã. Mas como já me disse um amigo, desses que se confia desde sempre, tudo na santa paz. Sem luta. Sem mágoas. Sem leva  e traz. Só assim o universo conspira a nosso favor: na base da bandeira branca, não do ardor. Quem sabe assim a porta tão esperada se abre, enfim?

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