segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Obrigada?


(*) Desculpe! O estilo de vida que você pediu está fora de estoque.
Street art  em Londres, de Banksy, artista famoso por dezenas de grafites provocativos vistos em algumas das principais cidades do planeta.


Final de ano a gente sempre está estressado. Os dias "acabando", como se fosse o anúncio do fim dos tempos, e uma lista interminável de tarefas a serem acabadas, assuntos finalizados, de coisas que se tem que fazer, coisas que se quer fazer, poucas que se quer de verdade. Arrumar a "casa" - seja ela, a casa,  o escritório, nossa casa mesmo, ou nós mesmos - arrumação mais necessária (imprescindível?). Um jogo de sentimentos, muitas vezes contrastantes, opostos até. De um lado amor , carinho, agradecimento, quando lembramos das pessoas  - ou momentos  - que fizeram diferença na nossa vida durante todo o ano. Do outro, por querer agradá-las, ou nos agradar de alguma forma, direta ou não, uma correria desmensurada que faz, muitas vezes, sermos até grosseiros com os que estão por perto, conhecidos ou não. O querer virando ter que. Carinho com uns, doideira com outros. Um empurra empurra de gente, de listas e de sentimentos. E os dias vão passando, as listas terminando meio que na marra, a gente se sentindo por um lado satisfeito e por outro, arrasado.Sempre falta algo, nem que isso seja só uma sensação chata, na boca do estômago. Não, não demos conta nem do recado. Não, não resolvemos as coisa internas, as mágoas, as desavenças. Os medos. Os descontentamentos. Não perdoamos como diz a oração. E  lá se vai mais um ano de um abraço fraco, não verdadeiro. A falta do olhar honesto. Os cumprimentos automáticos. Falta uma verdadeira comemoração natalina. Falta o verdadeiro espírito do Natal. Os presentes serão dados e agradecidos, mas não se saberá se veio do coração ou da educação. A ceia será devorada e até elogiada, mas será só mais uma...o dia depois nos traz os restos.
Eu vou passar o Natal sozinha. Não, não tenham pena. Não por escolha, mas por uma série de fatores juntos, amontoados. Num primeiro momento, entristeci. Achei-me castigada. A gente se acostuma a se deixar levar pela data, correrias, jantares, e-mails, cartões, lembranças, congratulações muitas vezes por vias obrigatórias, nem sempre queridas - e nessa palavra, queridas, também dois sentidos: de querer e de ser querida. Depois até achei que esse seria um presente ideal de Natal para mim mesma. Eu  e eu , necessitada como nunca de um momento só meu, de silêncio, de entendimento sobre mim mesma, de revisão, como deveria ser todo Natal. Um nascer, um renascer. Comemorando depois, só depois, as coisas alcançadas internamente. E para isso terei o Ano Novo, aniversário de meu pai, familia toda reunida. E eu ao lado de meu amor maior, meu filho. E como já temos planos!
Mas, voltando ao Natal, me deu vontade de jogar tudo para o alto. E vou, na medida do possivel. Ligar - sim, usarei o telefone! - para as pessoas mais chegadas, mas não na data..antes, ou quem sabe depois...como um fato normal. Quem sabe mandarei cartas - sim, daquelas escritas, que o carteiro entrega. Ou quem sabe até cartões, mas meus, não da papelaria mais próxima. Ou atravessarei a rua para abraçar a vizinha necessitada - não de pão, nem de panetone, mas de carinho.
É, meu Natal será diferente. Porque não tenho presa. Porque quero levá-lo em meu coração até o próximo Natal. Assim, posso comemorá-lo sempre que eu assim quiser...e se eu quiser.

"O Natal não é uma data... É um estado da mente"
Mary Ellen Chase, educadora americana (1887/1973)


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