domingo, 18 de dezembro de 2011

Se me fosse dado...


Ah...Domingo...
Dia do sol. Dia de louvar ao Senhor. Dia de descansar. Clarice acha que domingo é um dia oco, Quintana acha que é um dia chato - e dos chatos, como todo dia no céu. Uma mesmice. Tem gente que nem vive o domingo...já acorda lembrando  que amanhã é segunda feira, dia semanal do mal humor, da preguiça garfieldiniana, da lerdeza de ação e de pensamento. Tem gente que aproveita tanto a sexta e/ou o sábado que domingo é dia de ressaca. Dia de culpas, pelo feito ontem e o não feito. Dia de esquecer o mal dito, mal feito, mal amado. Tem quem ame, tem quem odeie, já acordando de mal com ele. Tem quem o despreze, escondendo sua cara - e corpo - numa cama. Ou fixando seus olhos numa tela de TV, quem sabe matando avatares num jogo de videogame. Tem gente que faz nada, na esperança que ele passse sem passar.
Eu? Se dependesse de mim, seria ótimo. Se fosse só meu,  levantaria com o sol para lhe dar bom dia. Teria um belo passeio - pelas ruas, numa praia, quem sabe numa feira de artesanato, vendo coisas e pessoas, ganhando as horas. Quem sabe um café com jornal na padaria da esquina - sem  página policial ou classificados - a não ser que fosse para rir. Ou um sorvete novo, direto na lingua. Levaria meus olhos vivazes e, então, felizes, para um delicioso deixar levar. Levaria minha boca para saborear sabores que gosto, descobrir sabores desconhecidos, quem sabe um novo beijo? Ah, e junto com eles, levaria meu melhor sorriso, esse, especial de domingo, radiante e calmo, com uma pitadinha de curiosidade em despertar o sorriso dos outros. Sorriso que atrai sorriso, seja lá de quem for, da criança no colo da mãe ao grisalho que ficou interessado. Ouvir boa música, na praça ou na sala de casa. Brincar no parque como quem não quer nada, alegre gira-gira. Ler um bom livro, ou pedaços de muitos  e sorrir por dentro por tê-los, enfim, encontrado. Comida? Pouca. Frutas? Todas, de todas as cores. Bebida? Muita. As mais puras, para matar uma possível sede. Por que sede, mesmo, eu teria do dia. De mim. Em  me deixar ser. Em ser como eu sou e gosto -
e nem sempre se tem um dia para isso....Ah, são tantos os desejos -  azuis , amarelos, verdes, quem sabe vermelhos - para um domingo que, feliz,  até brincaria com meu poeta preferido, Mário, o Quintana:

Se me fosse dado um (dia) domingo, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...


2 comentários:

  1. Domingo - ou segunda, ou terça, quarta, qualquer dia ! - seria sempre ensolarado ao seu lado!

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  2. Lindo texto! Como sempre! Inspirador!
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