quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Muitas


Por vezes, basta uma parada,  - usar - ou escutar - as palavras certas, escrever e ler as coisas queridas ( de querer, mas nem por isso não amadas) e o sorriso vem fácil. Pode ser uma parada para um café - um chá? - , para um afago no cachorro - ou em mim - , um respiro da alma. Um soltar-se para a vida, abrir guarda entre os militares pensamentos, abrir asas do pensamento. Disso, creio,  são feito os dias, não como prato principal, mas como tempero, gosto, regalo, aquele que diferencia um dia do outro. Erva ou pimenta, por vezes açúcar para adoçar as horas.
E é sobre isso que quero escrever.
Meus dias não são medidos pelas horas, por vezes traiçoeiras, escorregadias. Existem minutos que parecem uma eternidade, e horas que passam num segundo. Por isso, prefiro medir meu dias pelo que vivo. Pelo que deixei de. Comecei o dia falando que não gosto de nada "mono", a não ser a monogamia ( como diz Carpinejar, "dá trabalho amar dois"). Detesto monossílabas, a não ser que sejam suspiros, sinais de surpresas da vida, encanto, feitiço. Nem de monólogos, a não ser que seja comigo mesma - mas mesmo eu sou tantas! Muito menos de.monotonia. Seja monotomia de sabores, de cores, de beijos ( para mim, cada um é um, mesmo do mesmo, mesmo o de sempre), não me cabem. Não sei ser e nem viver assim. Mesmo que me fosse dado o castigo de ser, viajaria mesmo sem sair do lugar. Vou longe, mesmo com os pés grudados no chão - tenho asas invisíveis, leveza de plumas. Meus olhos ganham o mundo interno e se perdem dentro de mim, profundeza de mar. A viagem pode ser até ali, nos olhos do outro, nas palavras bem ditas , mas vou, voo,  longe, e sem rédeas, vento. São meus oásis, passeios que dou para me perder, nem que sejam labirintos.
Minha imaginação é fértil e não aceita monocultura. Nem meus textos monografia, já que muitas joyces estão neles. Elas brigam para ver quem ganha no final. Tolas, todas ganham. Principalmente eu  que rio de mim mesma e de meus devaneios nem sempre pueris.
Ah, Clarice, tens razão...

"Perder-se também é um caminho"

Que o diga Alice....
Vai um cha´?

Um comentário:

  1. Texto levinho como uma pluma, mas enche uma taça de vinho denso de tanto fazer pensar, sinto que temos desdobramentos diários, por isso minutos viram horas e horas segundos...depende a velocidade das asas do nosso imaginário, e sei O amor pinta no cego e com asas...ai já outro texto néh? beijokas carinhosas da amiga de asas aqui.

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