quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Procura

 
 
Até bem pouco tempo atrás, e por um bom tempo, achei que tinha encontrado, enfim, um oásis para mim. O que é um oásis?  Ah..use de imaginação. Volte um pouco no tempo e veja-se deitada, ou deitado, sonhando,  assistindo um filme da tão querida sessão da tarde, quem sabe comendo pipoca. Algo entre aventura e romance. Um lugar lindo, com um frescor inimaginado em outro lugar, cheio de árvores, flores exóticas, roupas esvoaçantes, pessoas misteriosas, quem sabe lindas. Um sonho, quase hollywoodiano.Um paraíso na terra. Pense isso tudo em meio ao rústico de um deserto. Um vento leve, aroma bom, a perfeição tão sonhada.  
Claro, exagerei. Quase delírio. Digamos que foi uma espécie de liberdade poética. Mas dessa “viagem” o que quero que fique é a sensação. A leveza. Um tipo melhorado de forte, um elo protetor, construído ou sonhado. Um “ter para onde ir” no momento extremo de desencanto com a vida. Um lugar que  pegue o seu cheiro, tenha a sua temperatura, aqueça sua pele, ilumine seus olhos, relaxe seu corpo e sua mente, tipo banho de banheira sem hora e sem pressa. Eu tive. Meu oásis. E erra quem pensa em um lugar chique, sofisticado, capa de revista: o conforto era o meu, interno. O chique era por minha conta, sentia-me rica, milionária ate, cheia de  mim como sou. Sentia-me a vontade. Envolta com o meu melhor. La eu podia me ser, coisa que o mundo tem me dado raras oportunidades, e deve ser por isso que me escrevo, terapia. Ou fuga.
Mas hoje, tão longe -  distância , tempo e sentimentos -  do que imaginei ser meu “mundo ideal”,  meu “mundo de Alice” e minhas tão sonhadas e mais  íntimas maravilhas  ali materializadas, vejo que a procura, minha, é  insana. Inútil. Vejo que meu oásis não pode depender de outros. Nem de coisas. Nem de lugares. Nem de teres. Nem ao menos de sentimentos, senão correspondidos, senão na mesma medida, proporcional, equilibrada, que não faça pesar um único lado da balança.  Que não pese. Que não desvalorize um para enaltecimento do outro. Que não fortaleça um em detrimento do outro. Meu oásis sonhado é de par, lado a lado, mãos dadas, ou mesmo frente a frente, mas o não confronto,  e sim, balança gostosa, gangorra suave de apaixonados, olho no olho, sorriso na cara. Juntos.
Muitas vezes a gente procura longe um oásis que precisa achar aqui, bem dentro da gente. Por vezes é necessário faltar água, alimento vital. Só assim esse "oásis" estará sempre ao alcance. Nunca distante, essa distância enorme, emocional, que não se resolve em quilômetros, nem que se vá a pé e se leve anos. Um oásis forte, meu, que nunca foge, nunca seca, nunca fere, nunca morre.
Nem quando eu mesma vire pó, belo adubo.
E eu, mesmo assim, viajante sem bússola em meio ao deserto por vezes árido dos dias, não deixo de rir ao lembrar  de uma frase de Mário Quintana -  poeta que olhei nos olhos e vi a alma -  até então engraçada, mas agora com um outro significado para mim, feito alerta:
“Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
procede tal e qual o avozinho infeliz:
em vão, por toda parte, os óculos procura.
Tendo-os na ponta do nariz!”

Talvez a água que mate minha sede venha de meus próprios olhos...

Um comentário:

  1. Acho que tu já respondeu a tua procura. E mais do que dos teus olhos, a água que procuras brota do teu coração. Amar a sim mesma. Parece tão simples, e é tão longo o caminho até chegar a plenitude desse amor que não é egoísta, mas generoso com o nosso querer.
    Beijos

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