sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pescando




O que mais gosto de conversas que parecem aparentemente sem rumo são os caminhos que pegamos, os atalhos escolhidos pelo coração e suas paisagens desconhecidas e os achados, como quem acha uma flor diferente, uma bela pastagem... ou um rio silencioso...quem sabe turbulento!
E hoje me veio - e nem vou tentar explicar o porquê do caminho: 

"  a gente pesca conforme a isca que usa..."

Escrevi,  assim de rompante, como quem rompe um lacre interno - já que , penso, o que se fala ao outro, é a nós mesmos a quem estamos falando.  Meu do tipo “ “pérola aos porcos”“.  Ou lavagem aos príncipes (ui, essa foi...) . Nunca pesquei, ou se pesquei, foi uma pesca imaginária, infantil, como quem põe miolo de pão e sonha em pegar tubarão, quem sabe uma baleia azul? Então... pelo que sei, para cada peixe, sua isca – e que me desmintam os pescadores de plantão, e com a propriedade  de mentir 
que a fama os premia.
Mas, voltando aos peixes parcos,  ou iscas mal postas ou mal escolhidas,  é bem isso que fazemos ( falo no plural para não entrar sozinha  nessa roubada, feito pesca noturna). Usamos de isca pobre esperando pescaria farta. Usamos de uma reles minhoca intencionando pegar farto peixe. Usamos anzol pensando em pescar com tarrafa. Ou anzol de bambu que se verga,  se curva,  ao peso do pescado, mas não faz mágica ( será que falo bobagem?). Ou seja: fazemos  uma coisa, pensando em outra. Pior: fazemos coisas pequenas ou sempre as mesmas coisas, esperando outros resultados.  Somos ótimos na matemática da pauta, mas péssimos na matemática da vida, aonde sempre se chega ao mesmo resultado se se segue o mesmo raciocínio – ou ato. Onde se sabe onde isso vai dar e mesmo assim “imaginamos” resultado diferente. Ledo engano. Seriamos reprovados – e somos! – pela escola da vida.  E depois nem adianta reclamar. Podemos não perder o ano, nem teremos essa chance que seria, no  mínimo, maravilhosa. Não, a  vida não tem volta. Podemos ate recuperar o tempo perdido, a pesca mal feita, mas ela não será a mesma – nem nós, que nos modificamos a  cada respirar.
A vida não é monótona, nunca foi e nunca será. Nem os dias os mesmos, nem nós, os pescadores, nem o peixe a ser pego o é, nem ao menos a pesca.  Só nós continuamos seguindo os passos mesmos  e  esperamos chegar ao paraíso do peixe diferente de sabor desconhecido – mas bom –em bela mesa  e bem servido. Até porque, como eu mesmo disse -   e na mesma hora de tal rompante de pesca,  mas agora indo mais lá no fundo -, o que nos falta é profundidade.  Falta-nos fôlego e  sobra-nos medo,  ou interesse, quem sabe. Senão em todos os mergulhos do dia, em poucos, raros,  mas bons,  onde perdemos a  oportunidade de visualizar novas paisagens, de conhecer outros mundos, mais completos e mais complexos,  e ficar maravilhados com onde se pode chegar.  E a plenos pulmões. ..


Costuma-se dizer que  tem dia que o mar não está para peixe...ou será que é a gente que  pesca errado?

Um comentário:

  1. Muuuitoooooooooooooooo booommmmmmmmmmmmm!!!
    Eli

    ResponderExcluir