domingo, 6 de maio de 2012

Outra


Tente o novo todo dia.
  O novo lado, o novo método, o novo sabor,
  o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

Clarice, a Lispector, me encanta pela sua sinceridade. E pela forma que nos incentiva. Mudar. Verbo fácil de falar , mas tão difícil de ser seguido. Pede enfrentamento, o que nos mete medo. Pede coragem - coisa que nem sempre temos. Pede escolha, em primeiro lugar. E as escolhas nem sempre são fáceis - nem do sabor de sorvete, que dirá das escolhas que podem definir nossa vida. E são tantas, escolhas e opções.
A não ser por ser feliz. Ninguém em sã consciência quer colocar um "in" na frente disso. Ou, como disse Guimarães Rosa, " infelicidade é uma questão de prefixo". Felicidade é o que se procura desde o momento que se abre os olhos pela manhã - ou até antes disso, ainda nos sonhos. Ninguém se imagina infeliz - apesar de que conheço gente que tem a  felicidade na mão e por medo ou por, talvez, gostar de sofrer ( lembrando os poetas românticos) - ou sabe-se lá porque raios de motivos, gosta de sofrer. Não vê o lado bom das coisas. Ou até vê, até que uma nuvenzinha cinza tape o sol radiante.
Eu sou o contrário. As nuvens existem, sim, mas eu sempre dou um jeito de soprá-las. Ou, se densas,  tento pelo menos lembrar que o sol está lá, bem acima delas. E uma chuvinha interna - ou até "externizada", rolando no rosto, não afoga. Nem mata. Lembro também que não sou perfeita e nem o mundo - e nem ninguém. Mas procuro sempre tentar me lembrar das coisas que me fazem bem, das coisas que procuro, das coisas que sonho - já que são eles, os sonhos, que me guiam. E, principalmente, do valor que tenho. Não dá para rastejar , nem mendigar, nem viver de migalhas. Dou o meu melhor, sempre, porque isso me garante sossego na hora de sentir se algo vai ou não vai. Se é meu ou não é. Se me merece. Ou não.
Clarice tem razão. Devemos todo dia tentar algo novo. Seja lá o que for. Achar novas formas de vivenciar  cada coisa, de um café a um beijo. Olhar bem no olho do dia, ver se o brilho está lá, ver se faz o nosso brilhar.  Ver o que vale a pena ver. Até porque cada dia é um, cada dia é único, nunca existiu, nem foi vivido. Nem nós somos os mesmos. Somos o que fomos, mais o sabor do dia. Ou seja: novos. Outros. E também únicos. Então, tentemos. Sejamos nós mesmos, mas com um novo olhar a cada dia, a cada passada, a cada passar pela vida.
Porque o que vida espera da gente é muito...

Um comentário:

  1. Pois e, a vida, pra ser vivida do palco e nao da platéia, exige-nos coragem. E a coragemde enfrentar nosso medo maior. Cada um tem o seu. E e esse desafio que mede nosso sucesso de ser. Tuas palavras sempre calam fundo, fazem pensar...
    Beijos
    Elenara Leitao

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