domingo, 27 de maio de 2012

Vívido!


Eu quero desaprender para aprender de novo.
raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar sentidos"
Rubens Alves
Já dizia um outro poeta que cada dia é uma página nova de um livro, lembram? Até meu querido Chico Xavier (*) já tinha soprado a deixa em nossas almas...
Pois é. Amanhã é a tal segunda, odiada por muitos e amada por uns raros, como eu. Porquê? Porque começa ali uma nova etapa da vida  - que, na verdade, já começa no domingo, outro amado ou odiado, por isso  a segunda se chama segunda e não primeira (risos). Mas voltando aos domingos à noite, que uso, sempre, para repassar meus passos da próxima semana, rever agenda - nem que seja interna - fazer a listinha, por vezes invisível, das coisas que tenho e das coisas que quero fazer, gosto. Na verdade mais que isso: necessito. E assim, começar a semana com o pé direito ( puro preconceito, ou ele , por acaso, é diferente do esquerdo? Ou seria fruto de nossa infância militaresca e suas marchas de sete de setembro com sapatinhos bem lustrados?). Domingo , para mim, é pausa. É um misto de descansar e repensar. Uma espécie de estratégia. Rumo. Bússola. Montagem de mapa dos dias e os grandes e pequenos tesouros que se quer achar. Uma espécie de impulso, mas não no sentido de se jogar, mergulho no nada, muito pelo contrário: estratégia. Pensar cada batalha como única, mesmo que a mesma. Até porque, não canso de pensar, que somos os mesmos mas outros a cada dia, quem sabe minuto. Somos o ontem somado ao tempo presente. Como se essa matemática levasse ao futuro - distante ou no próximo momento. Deliro ao pensar que não existe presente, de tão ínfimo que é. Se é, já foi, passado. Como se vivêssemos em constante futuro. E não é? Ou vivemos num tempo agora, e nele estendemos nossas redes de pescar, como quem se prepara para lançar a rede da hora. E ainda com um tempo paralelo, o dos sonhos. O tempo no relógio não pára, mas o nosso tempo pode e deve. É nessas paradas, nesse buraco desconhecido que se deve viver. Não se grudar ao passado, pois já não é. Nem no futuro quem nem se sabe se virá. Não se pré - ocupar - se com algo, dizia minha mãe, uma eterna preocupada com tudo e tanto que nem tinha tempo de se viver. O presente é um átimo, e devemos fazer dele o mais prolongado possível, o mais bem embalado como tal, papel bonito, fita de cor.  O mais bem vivido e vívido ( que vem de luminoso, que clareia,  cintilante, brilhante, fulgurante...chega?) que se pode ter. E sonhado. Só assim fica aquela sensação melhor do mundo do dever cumprido, sim, mas não sem ter sido feito apenas, mas sentido, vivenciado. Vivo. Nosso quadro bem pintado.

"Deus nos concede, a cada dia,
uma página de vida nova no livro do tempo.
Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta."

    E tem gente que pensa e faz dos dias uma mesmice...


(*) Chico Xavier, através do espírito Emmanuel




4 comentários:

  1. Muito gostoso de ler esse seu texto Joyce, e nao e so isso....bom para refletir.As vzs eu confundo o meu viver intensamente com irresponsabilidade.Nao sou dada a agendas e planilhas, nao gosto de planejar nada e milagrosamente vai dando tudo certinho, as coisas se encaixam e no final sempre me dou bem.Mesmo assim eu me preocupo com esse meu jeito meio desatinado de ser e viver....sem a minima preocupacao em ser preocupada!Vou desenhando nas paginas novas do meu livro na esperanca de que ele me de pelo menos mais 36 capitulos para eu pintar e bordar tudim!!!

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  2. Ameeeeeeeeeeeeeei, Clara!!! Mas não muda nada não!!! Te gosto assim!

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  3. Lindo, como sempre. Viver é sutil e líquido. É átimo e eternidade. É um passar de sensações e por vezes inperiências que se acumulam na alma e pedem passagem. E assim vamos nos fazendo.
    Beijos

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  4. Muito interessante como você colocou a temporalidade da vida. Essa coisa que a gente usa para medir, espaçar o tempo, determinar um lugar na nossa história, um momento especial ou até trágico de nossas vidas... Ou até mesmo nos transporta a um lugar distante, ou aqui do lado. E nos projeta para o dia seguinte, como se tivéssemos controle sobre isso, mas acreditamos piamente que sim. Mas chama a nossa atenção de que, mesmo sem o controle, devemos nós mesmos determinar os caminhos que iremos seguir... num tracejar que é na verdade essa nossa longa linha da Vida, que caminha até a eternidade de cada um de nós! Deus continue a te abençoar assim!!

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