sábado, 7 de julho de 2012

Asas




Intimidade é quando a vida da gente relaxa 

diante de outra vida e respira macio. 

Não há porque se defender de coisa alguma 

nem porque se esforçar 
para o que quer que seja. 
O coração pode espalhar os seus brinquedos. 
Cantar a música que cada instante compõe. 
Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo. 
Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho. 
Andar descalço, sem medo de ferir os pés.


Essa graça de poema, simplicidade e verdades doces sobre o  amor, é de Ana Jácomo. E como sei. E como é bom. Acredito no que dizem que intimidade não é sexo: é dormir junto, cada um com seu jeito de deitar na cama, cada um com seu ronco. É dividir a bancada do banheiro, a roupa no armário. Que intimidade é sexo, sim, mas seguido de  boa conversa ou pernas entrelaçada. Intimidade é nem precisar olhar para saber tudo o que o outro vai falar, tudo que o outro sente, tudo que o outro oculta - muitas vezes para não magoar. 

Intimidade, penso, é cumplicidade. É poder falar tudo, com jeito para não magoar, mas  com a certeza de ser compreendido. É se desculpar até quando nem se sabe de tem culpa. É cair na gargalhada quando o outro erra -  a fala ou a comida. Intimidade é deixar o outro dormir quando cansado, escutar quando eufórico, animar quando caído. É não julgar, para não ser. Dar asas, não aprisionar.

Quero para mim esse amor simples. Sem firulas. Tipo café com leite, pão de casa com manteiga e deixá-lo virar bom vinho em certas horas, nas horas certas. Saber quando é dia de roubar um beijo "caliente" e quando é melhor dar beijo na testa. Quando o outro quer uma passada de mão ou um abraço demorado. Amor é simples, a gente que atrapalha...




Eu só quero ser feliz 

e viver tranquila. 

Eu só quero fazer minhas coisas 

da melhor maneira possível 
e ter um moço bonzinho 
que me leve ver o pôr-do-sol 
no fim de tarde.

Tati Bernardi

Um comentário:

  1. Meu deus! Achei isso lindo demais!!
    bjs

    maria brufatto

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