sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Viva




Hoje levei um susto: faz quase um mês que não me escrevo. Que não me curo. Não me adoço. Na verdade, tem acontecido tanta coisa em minha vida nos últimos dias , em poucos deles, que me firo, me machuco e me curo ao vivo, remendando com pensamentos minha dúvidas, sem precisar de muitas palavras. Ou, sim, de muitas, mas internas,essas nunca caladas. Fico em silêncio sempre que meus mundos  berram dentro de mim.
Tenho descoberto que essa camada que se usa de ser forte tem lá suas vantagens e suas desvantagens, como em tudo - ou quase - da vida. Tem um lado bom e um lado ruim, como eu sempre digo que tudo tem. Muito bom às vezes poder se ser por inteira. Poder ser humana. Poder ser, sem passar pelo crivo de ser taxada de nada. De se rotular, como tenho medo. Viro mulher quando amo. Por vezes menina, dada a insegurança de não se achar sendo na mesma proporção. Viro humana quando sinto um aperto no peito que me sufoca. Ai, melhor deixar sair - pelos olhos, pelos poros e pela boca. Ou escrever. 
Quer coisa mais polida? Mas tão longe da mágica do vivo...
Três palavras que se segura só quando realmente se quer dizer. Três palavras que saem fácil quando se diz por dizer. Por encantamento. Por emoção. Em um momento mágico. Ou em cena de qualquer filme, muitas vezes ensaiada.  Mas quando é sentimento interno, cravado no peito apertado, demora sair da caverna de dentro e rolar pela língua a espera do beijo receptor, do olho aprovador, do espelho de sentimento, do coração onde se quer plantar o mesmo amor, feito semente. Quase se cospe a frase amada. Quase se tosse sem pôr a educada mão tapando a boca, na esperança que entre sem restrições o vírus na boca alheia. Sai baixinho, como quem tem medo de ser escutada, como quem insulta a pessoa amada. Ou medo de reprova. Sai num rompante quando letras escritas, não faladas, pela distância de não vê-la entrar pelo olho do outro, na esperança de ganhar morada. Se entrar feito poema e fazer bonito. 
Mas, esqueçam, não amo feito poeta. Amo feito gente, desse jeito tosco que só gente sabe amar. Amo feito quem planta. Amo devagar, como quem reconhece terreno, olha o céu, escolhe a semente certa para o certo torrão , e a abre com os dedos, afaga, enterra, devagar, de leve, soterra, sem nem a  terra entender o porque. Sem nem a terra dar licença. Sem nem a terra amar. E se rega, cuida, alimenta. E se dá a ela seu melhor quinhão. Sua melhor cuida. Sua melhor intenção, dessas do céu e não do inferno, delas cheio, dizem.


Lenine tem razão: 

Pode ser um lapso do tempo

E a partir desse momento acabou-se solidão
Pinga gota a gota o sentimento
Que escorrega pela veia e vai bater no coração
Quando vê já foi pro pensamento
Já mexeu na sua vida, já varreu sua razão
Acelera a asa do sorriso
Muda o colorido, vira o ponto de visão

Falar  com o coração muda tudo...me põe viva!
E nua...

7 comentários:

  1. Lindo ! Pura poesia ! Como te faz bem amar.
    Beijos

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  2. "(...)Fico em silêncio sempre que meus mundos berram dentro de mim(...) Viro humana quando sinto um aperto no peito que me sufoca. Ai, melhor deixar sair - pelos olhos, pelos poros e pela boca. Ou escrever. (...)" Pensei hoje nesse "...quase um mês que não me escrevo" e ufa! vi tua chamada. Lindo! Viva....e deixe sair Joyce Diehl!
    Eliana de Jesus

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  3. O amor é o caminho!! Lindo!! "Mas, esqueçam, não amo feito poeta. Amo feito gente, desse jeito tosco que só gente sabe amar.."
    Lilian

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  4. "Amo feito quem planta. Amo devagar, como quem reconhece terreno, olha o céu, escolhe a semente certa para o certo torrão , e a abre com os dedos, afaga, enterra, devagar, de leve, soterra, sem nem a terra entender o porque. Sem nem a terra dar licença. Sem nem a terra amar. E se rega, cuida, alimenta. E se dá a ela seu melhor quinhão. Sua melhor cuida. Sua melhor intenção, dessas do céu e não do inferno, delas cheio, dizem."

    Que coisa linda esse trecho final do poema da Joyce Diehl que acabo de ler!!!!

    Clara

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  5. Isso mesmo minha linda, cure-se, fale com o coração, seja feliz. Adorei o texto, um beijo carinhoso.
    Sandra

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  6. Querida, não existem advetivos suficientes pra qualificar tamanha maravilha.....Só é possível dizer que amei e que sentira, desde a primeira vez que bati meus olhos em ti, que és um manancial de lindezuras....não vives se não estiveres a esparramá-las pelo mundo.Beijokas. Gô*

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  7. Já me sinto vc como parte do meu dia...e todo dia procuro vc como inspiração do dia...bom dia
    Anna Cecília

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