segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Leve



Tantos dias sem "me" escrever, sem me curar. E sabe porque? Porque ando tão bem "sarada" - como se dizia quando era pequena ( sarar de uma doença ), com um sorriso tão largo na cara, que o máximo que pode me dar é rasgar o rosto por puro excesso de alegria. 
Mas enquanto tomava um tão sonhado banho de mar nesse final de semana, e olhando aquele marzão de Deus, pensei que o amor, quando maduro, mais parece belo banho de mar. Daqueles em que a água está morna e calma, com uma marolinha só para o embalar. Onde o tom é de um verde apaixonante, feito os olhos do amor. Onde existe profundidade, sim, muita,  mas a limpidez deixa ver o fundo de areias brancas, estrelas do mar. Um banho sob o sol dourado de final de tarde de verão, o céu mais azul que o anil.  Onde a gente se deixa levar pela maré, mas sem deixar de ficar atenta a qualquer mudança do vento, a qualquer alteração de correnteza. Pois nunca se sossega no amar. Não por medo de perdê-lo, pois sou das que vive tudo o que vem, e com coragem, mas porque pede rega diária, delicados cuidados, um ver o mar antes de adentrar - e mesmo assim, passível de mudanças. 
Acho mesmo que assim deve ser o amor - pelo menos que eu queira. Um amor sereno, sem os rompantes da paixão cega. Um amor que me sossegue, que me seja colo. Que pegue fogo só na hora certa. Que discuta, sim, pois somos humanos e diferentes, mas que termine em bela conversa,em entendimento, em crescimento. E que seja bom para os dois: que eu apoie e seja apoiada, que eu anime e seja animada,  que eu conforte e seja confortada, que eu cuide e seja. Que na hora da batalha, um ajude o outro, se não em palavras, em gestos. E que na hora do descanso, um seja rede de deitar do outro, coisa que recebe e abraça. Que de dia seja bom dia e destreza, e de noite colo e afago. Porque amar tem que ser banho de mar, sossego de marola, e não tempestade em alto mar. Mas se ela vier, que se encare, que não se fuga e que se saiba lidar...que se pense junto, se reme  junto até os pés, enfim, tocarem a areia da praia outra vez, sãos e salvos. 
Eu...? eu quero mais é que o mar do amor me leve, leve...

Já disse certa vez o poeta Carlos Drummond de Andrade:
O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. 
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. 
O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

E eu digo: o amor é grande e cabe num breve banho de mar...

2 comentários:

  1. Bom dia! Já sigo a sua página no face, poois sou amiga de Clara Piquet e fiquei encantada com os seus posts....
    Apareça em meu blog:http://emiliaeavida.blogspot.com/(...desenrolando o fio da vida...).
    Bjs

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