domingo, 2 de setembro de 2012

Tranquila



Muito se lê sobre o amor, por vezes em tom poético, por vezes em tom de dor, visto como poético pelo poetas, mas nada poético diante da vida. Amores que se sofre por eles e se acha normal. Amores platonicamente sofridos. Ou nada platônicos, os piores , onde a gente se acha  - ou se faz de nós isso, sem nem pensar - a última das pessoas e o outro, o dito amado, o centro das atenções – e da visão, e da paixão e da própria vida. Pois bem desse segundo, que já senti, quero distância.
Hoje beirando mais a casa dos 50 ( pelo menos é o que diz minha carteira de identidade e não meu olhar de  curiosa frente a vida e nem minha risada de menina travessa) do que outras tantas casas que já passei e  vivi da melhor forma ( ou da forma que me deixei existir) , sinto –me na flor da idade – se não a de corpo, da qual não tenho nada a reclamar, mas a de alma. Vejo o amor de forma vivida e vívida, clara, sentida, em cada momento de meu dia, estando eu ao lado dele ou não. Um amor que eu poderia chamar de maduro, feito fruta no ponto de ser saboreada na sua plenitude.  Um amor que não espera muito, mas vê muito em cada pequena coisa do dia. Um amor sem rompantes – a não ser um ou outro para apimentar – mas um levar leve, sim, mas sem ser sem gosto, sem graça. Um amor que valoriza todos os momentos que se está junto, só porque se está junto. Um amor que confia porque não tem nada a perder, e que se sabe nesse nada, muita coisa.

Beirando a minha mansão dos 50, me vejo plena. Uma mansão sem muitos cômodos, mas todos muito cômodos, confortáveis. Sem lugar para tralhas, as tão alimentadas mágoas e ressentimentos, o tão arredio ciúme, a má companhia do arrependimento e da dúvida.  As tão alimentadas censuras, os malditos preconceitos. Os infames julgamentos  - como se fôssemos perfeitos – e a mania de achar que tudo tem que ser perfeito e não a contento ( que vem de contentar-se, estar contente). Que tudo tem que ser novelesco, e não realidade bem vivida. Que tudo tem que ser meio Janete Clair  - ou quem sabe Nelson Rodrigues - e não novelinha saudável “das seis”, romance bom de cabeceira.
Amar é dormir e acordar do lado, só por querer estar ali. Andar de mãos dadas não por hábito, mas porque se quer. Rir junto das bobeiras do outro, e chorar junto das tristezas e emoções da vida, tantas. É palpitar de leve, querendo o bem e não a razão. É abraçar para dizer “ estou aqui” quando se sente que só isso basta. Dizer tudo sem precisar de palavras. Dizer te amo sem dizer te amo. Amar por atos e fatos, glórias ou fracassos, não por sonhar-se o outro feito príncipe, guerreiro, salvador da pátria do que sonhamos ser e ter. Mas sim, homem real, normal,  em carne, osso e  coração. Às vezes menino, às vezes sábio.  Que dá colo, mas também pede. E, estar junto, não por precisar e sim por bem querer...

"Quando se aprende a amar,o mundo passa a ser seu"
Renato Russo

2 comentários:

  1. é complicado se descobrir menina, no sentido da insegurança infantil em pleno 45 anos, logo eu que prego, que devemos manter a nossa menina interior, mas não essa menina, assustada diante das naturalidades da vida, vida essa agora bem mais tranquila e cercada de paz, então o que falta né? boa pergunta, estou tentando descobrir.
    bjks da sua amiga á distancia.

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  2. Não podia deixar de compartilhar... Sábias palavras de amor.. Menina, mulher, maturidade, tranquilidade, paz, alegria, aconchego, conforto, leveza, companheirismo, paixão não doentia....
    Parabéns... amei e repassei...
    bjkas

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