sábado, 8 de dezembro de 2012

Limpa




Falam muito em inferno astral, aqueles dias com cara de TPM que se tem antes do aniversário. Eu definiria como "Tantos Pensamentos Meus" ou "DRI", "Discutindo a Relação Internamente", "eu, comigo mesma". Estou. É o tipico momento que falo de conversas internas. Calada por fora, muito falante por dentro. Como se eu reunisse todas as Joyces que sou e que tenho dentro de mim numa Assembleia Geral de Final de Ano. Não, não me refiro à sua, nem a  de outrem, mas à minha, posto que nosso verdadeiro Ano Novo começa no nosso aniversário. E o meu não tarda nada a chegar. E dele não tenho medo. É só um número.Tenho medo é de me continuar. Os famosos " mesmos caminhos". 
Estou com aquele cansaço  emocional que nos ronda lá pelo dia 31 de dezembro. Um dia que a gente corre feito doido para deixar tudo pronto para a "grande virada", imposta pelo mundo, mas queria mesmo era se calar, olhar para trás, ver o que fez, o que deixou de fazer e, pior, ver tudo o que tinha se prometido no ano anterior e que não deu conta. Ou nem lembrou. Dia 31 é dia de promessas vãs., como quem se declara depois do amor, ainda deitado na cama quente. Pega-se a lista de pretensões para o Ano Novo e vê-se que não há muito o que riscar. Ou nem se entende o porque de cada um dos itens tidos como importantes  364 dias antes. A lista está ali, repetindo coisas de anos anteriores, e mais uma vez não riscamos muita coisa. Nosso check-list nos dá a real situação: fomos repetitivos. Novos rios sobre mesmo leito. Batemos na mesma tecla das coisas, já rota. Quem sabe um dia ela quebra.
Você deve estar pensando agora: "mas ela parece, sempre, tão feliz, tão para cima". E ai está o ponto chave: tentar ser. Bem diferente de fazer o outro mais feliz, tarefa muito mais fácil. E pautamos, muitas vezes, nossa felicidade na felicidade do outro. Se o mundo ao redor está mais feliz, eu estarei também. Funciona, sim, nem que seja por um breve tempo. Mas eu falo da verdadeira felicidade que é a de ser feliz consigo mesmo. Ser feliz por dentro. Ser e não só fazer, verbos bem diferentes. Outro dia já fiz um texto sobre isso, sobre " o que faz você feliz". E hoje me pergunto " o que ME faz feliz". O que quero para mim. E tenho medo da resposta.
Um bom começo para se redescobrir é fazer uma faxina interna. Tirar as coisas das gavetas superlotadas dos dias, onde deixamos nossos pensamentos mais íntimos muito bem guardados, e ver um por um, com cuidado. Separar o que serve para guardá-lo de novo. E o que não nos serve mais, ah, descartar sem dó, nem piedade. Sem nem olhar para trás. Mas um descarte com atenção, sem desprezo porque se estavam ali era por algum motivo. Alguma razão. Porque nos pertenceram certa vez e tiveram lá a sua importância. Delete, sim, mas com respeito, tirando disso belo aprendizado. Senão,  de nada serviu, de nada servirá. E ao que nos tem, ainda, serventia, tratemos de arrumar delicadamente, na gaveta agora vazia e perfumada. E cuidar para que não mofem por falta de uso ou pelas traças de se deixar levar.

Hoje a conversa é por dentro. Limpo minhas gavetas todas para deixar espaço para as coisas novas, que e façam realmente feliz comigo mesma. Calo-me por fora para me ouvir por dentro, dialogar, por os pontos nos is,  fazer as pazes. Quem sabe me escuto e mudo, pelo menos um pouco, 
antes de fazer novas promessas para o meu Ano Novo?

Ser feliz
O melhor lugar é ser feliz
O melhor é ser feliz
Mas
Onde estou
Não importa tanto aonde vou
O melhor é ter amor

Caetano Veloso




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