quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Um brinde!



Faz mais de mês que não me escrevo, que não ponho nesse mundo, que é o "papel", o meu mundo interno, inteiro. Ando calada. Mas só por fora. Dentro, sou um poço sem fundo de pensamentos incessantes  e  desconexos,uma micelânia de dar dó,  do tipo "tudojuntomisturado". Não, não me calo para me ouvir, posto que já ando farta de mim, mas porque as joyces internas travam tão enfadonha briga que opto por  me afastar, na ilusão de que se calem e me deixem, enfim, respirar. 
Mas hoje, em meio a um almoço cotidiano feito às pressas, onde juntei - coisa rara nesses últimos dias, dadas as correrias insanas da época - meu filho, eu e nossa " nova família - veio o texto, inteirinho. Tudo normal, corridinho, até a ideia de levantar os copos e brindar, como fazemos sempre que nos reunimos. 
Foi quando me dei conta e minha joyce interior se calou para refletir...
Brindar. Esperamos datas especias para brindar, para usar os melhores vestidos, o perfume mais caro, as joias guardadas nas caixas de ontem. Deixamos para o amanhã para viver as coisas boas, nem sem saber se haverá amanhã. Isso me ensinou o Amor, que sempre brinda quando está comigo - até com a caneca de café. Não porque esteja acostumado, mas porque  a vida, segundo ele, tem dado tantos presentes que sempre parece dia especial. E é. A vida, que já lhe bateu tanto, tem dado presentes, quem sabe em embrulhinhos tão simples que a gente nem se dá conta. Nem agradece. Nem valoriza. Não vê, não sente.
Passei aqui, corridinho, e calando minha voz interior para levantar um brinde. A que? À Vida! Que veio hoje me visitar.Que tem vindo me visitar outra vez, quando eu já a pensava seca. Que me trouxe um filho que deveria ser comemorado todos os dias - e o faço, em pleno beijo ao acordar, no "boa noite" antes de dormir. Que trouxe um amor que me faz pensar que , sim, ela é boa. Que me trouxe amigos, muitos. Uns que abraço ao atravessar a rua, coisa  rara em mim ( e que prometo fazer mais). Outros tantos que se dizem por ai serem virtuais , mas que moram em mim. Habitam meu dia a dia, alegram minhas horas e me fazem pensar que, sim!,  vale  muito a pena brindar! Todo dia, toda hora, por dentro e por fora. 
Brindar estar viva. Brindar ser mais eu outra vez. Brindar esse caminho longo, mas muito bem vivido,
 de me ser por inteira. 
Certo está Oscar Wilde e seu pensamento que fez ninho em mim :

"Viver é a coisa mais rara do mundo. 
A maioria das pessoas apenas existe"

Eu vivo. E brindo por isso!
Tim , tim!

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