sexta-feira, 7 de junho de 2013

Recomeço




"Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema."

Recomeço a escrever meus textos ( um recomeço?) por aqui com esse trecho de poema de Cora Coralina que, volta  e meia, permeia em mim. Move minhas pedras e planta flores. Me adoça. Me recomeça, me anima, me faz ver que , sim, posso ser melhor a cada dia, não só para o mundo, mas também para mim! 
Sim. parei para pensar nisso quando falei a uma amiga que estava travada, tamanha dor nas costas e ela falou: "pare de carregar o mundo". Parei foi para pensar...
Sempre me achei- e isso vem de longe - desligada dos outros. Não me acho - nem nunca me achei - uma boa filha, muito menos uma boa irmã. Já fui boa amiga, mas nem sei se isso também sou capaz. Nem me achei uma namorada  ou companheira com atitude. Ledo engano. Passei esses quase meio século tapando o sol com a peneira. E me queimando inteira. 
Olho para dentro de mim e vejo uma "mãezona", como me chamou a amiga. Fui - e sou - tudo que achei que não era. Dei a vida - ou quase - à pessoas e causas nem sempre nobres ( pessoas e causas). E fui (sou?), por vezes, extrema: cuidados demais, feito redoma,  ou esquecimento, indiferença. Não fui meio termo. Nem sei se sei ser. Quando cuidei, cuidei demais, mesmo sem transparecer, fazendo de forma tão natural que nem o beneficiado se deu conta. Mas quando abandonei o barco, nadei até a praia com vontade  sem nem olhar para trás. Só depois, em terra firme outra vez, parei para pesar se tinha feito a coisa certa. E quem vai saber? Só Deus. E olhe lá. 
Recomeço meus textos em dia frio e cinzento, dor nas costas. Talvez fosse esse o momento "preciso", aqui em dúbio sentido, de precisão , certeiro, e de precisar, necessidade.  Talvez esteja na hora de parar para descarregar. Desapegar. Revisar. Ser mais eu. Mas nem por isso - ou exatamente por isso - deixar de ser essa menina poeta que fui, que sou - e que escrevia poemas antes mesmo de saber um bom português. Porque a poesia - que é a mania de poetizar, romantizar sobre tudo, para mim -  em mim, é nata. E a ideia de fazer esse dia-a -dia sem graça da gente um pouco melhor...
Recomeçar. Começar de novo, mas de outra forma. Mais leve, desapegada do que não me melhora, quem sabe...Melhor rezar...

4 comentários:

  1. Lindo, lindo, lindo. Sentia falta de tuas palavras. Que bom que elas rebrotaram de ti. Beijos

    ResponderExcluir
  2. Adorei o texto.
    Digo: Já nem penso, me deixo levar.
    Um beijo grande

    ResponderExcluir
  3. Border lines!... "Não fui meio termo, nem sei ser". Mãezona aventureira, cigana das emoções. Suas palavras implodem os limites do pré conceito, do politicamente correto, em busca do politicamente autêntico(feliz)! Palas Atenas do direito de ser os extremos, exageradamente como Cazuza... Imagino que o Rei do Butão, que entendia por PIB não produto interno bruto, mas a felicidade interna bruta, anda te procurando...

    ResponderExcluir