sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sossego





Sempre falei e continuo falando: amor tem que ser porto. Porto, onde repomos nossas energias. Porto, para onde navegamos em caso de mar tenso, tempestades a vista - ou imaginadas ( essas as piores). Porto onde amarramos nossa nau em tempo de cansaço - ou de medo, eterno companheiro. Ou de procura de alguma alegria, em dia de remanso. Ou nem tanto. 
Quem dera ter e ser porto nesse dia -a -dia,  viagem inesperada onde vamos a lugares onde não queremos ir, sentimentos  que  tentamos fugir,  acontecimentos que preferiríamos  nem ver ...Viagem sem muito destino - e nunca de férias programadas - onde temos tão pouco tempo para viver o que queremos viver, sentir o que queremos sentir, abraçar quem queremos abraçar, beijar então, nem se fala. Tempo onde convivemos com a distância que nos distancia do que e de quem queremos bem perto, dentro , se possível, corpo e alma. Quem dera ter porto. Quem dera ser porto. Quem dera ter onde acalmar a alma, adoçar o gosto, aquecer o frio interno  do vazio do nada. 
Amor é porto - ou deveria ser.  Lugar para onde navegamos sempre que algo nos assusta, tira do rumo, tira do prumo, tenta virar o barco. Afrouxa os nós na hora do aperto, ajuda a segurar as cordas na hora "h",  acertar as velas na mudança de vento, senta do lado e  ajuda a pensar. Recalcula as distâncias, quem sabe o trecho, endireita a bússola.  E, chegando lá, no aportar do dia, sossegar o coração, esquecer os receios, as dúvidas, os desencantamentos. Remanso, descanso, parada. Até que uma nova viagem se faça necessária, que uma nova carta seja apresentada, um novo rumo. Que se tenha que, de novo, tomar folego e armazenar coragem para enfrentar o mar. 
Amor é porto... 

"Amor é quando a gente mora um no outro", disse certa vez Mário Quintana. 
Amor é quando a gente sossega  - e se ajeita - um no outro, digo eu...

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