quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dois







"O amor é quando a gente mora um no outro. "

Mário Quintana

Essa frase volta e meia bate à porta e pede passagem. Deixo entrar, abrindo a porta sem nem titubear, como quem recebe alguém da casa. Abraço demorado, sorriso na cara e a certeza de quem ela, a frase, já fez morada em mim.  Se traz perfumado bouquet ou puxa lágrima que pensava já escondida, tanto me faz: vibro e vivo.

Paro para pensar. Pare para pensar. E pense como a criança, o adolescente, a jovem que já foi e essa pessoa que se diz muito adulta que você diz ser hoje: quem nunca pensou que ia morrer de amor? Quem nunca sentiu o coração disparar  ao ver o novo coleguinha da sala de aula? O novo vizinho? Quem nunca sentiu o calor da paixão na pele ao dançar coladinho? Quem nunca afundou ruas e calçadas a espera de ver o outro passar? Quem nunca achou que ia infartar por causa de um mero "oi", ou uma olhadinha que, na esperança, achávamos que era para nós? Quem não lembra a primeira mão na mão, o suor entre elas? E o calor do primeiro beijo, por mais estranho, inesperado ou esperado que tenha sido? E o dia, enfim, em que você deixou para trás a menina, a jovem e  de um minuto ao outro, céu ou inferno, virou mulher? E quantas e quantas vezes , com o amor de sempre ou o inquilino recém chegado, voltou a se sentir jovem, voltou a ser menina... 
Sim. O amor tem esse poder, de nos transformar.  Tirar de nós o nosso melhor, ao mesmo tempo que nos acrescenta tanto. Ou tira, quando sai do trilho dos sonhos que sonhamos ter, quando pegamos o trem sozinhas - e só nos damos conta no final da viagem. Coisa que fere ou cura. Que mata ou ressuscita. Semente em que se aposta sem muitas vezes saber nem de que planta é - mas mesmo assim se semeia, cuida, espera colheita. Reza pelo bom tempo e pelo tempo certo. 
Sim. Amor é quando um mora no outro, casa aberta ou assombrada, verdade escancarada ou mistério. Posto que o amor pode estar longe, nesta vida, em tempos diferentes, passado ou futuro...ou em outras vidas, conhecidos ou desconhecidos, revelados ou escondidos, mas mesmo assim ser...amor...Felizes os que tiveram, os que tem, os que terão um. Ou muitos.

Releio meus textos e vejo o quanto falo de amor. Pode parecer piegas, romantismo demais, mas, e que vale a vida sem ele? E é o próprio Quintana que me salva:

"Fere de leve a frase... E esquece... Nada 
Convém que se repita... 

Só em linguagem amorosa agrada 
A mesma coisa cem mil vezes dita". 
(80 Anos de Poesia, 1986) 

Amo.

Um comentário:

  1. Amor faz bem, rejuvenesce. Corpo e alma. E é muito bom! Belo texto, beijos

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