quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Chave


Cá estou eu, de volta ao lar, depois de dois dias de correria. Bom viajar, mesmo a trabalho. Bom viajar, mesmo que se prefira ficar. Viajar dá um certo afastamento dos dias corriqueiros, uma nova visão sobre o mesmo. Eu como arquiteta e sempre voltada ao detalhamento das coisas, sei que nem sempre ver as coisas muito de perto, aumentadas, esmiuçadas, é bom. É a mesma sensação de quem se vê num espelho de aumento pela primeira vez.  As rugas, antes marcas do dia a dia, parecem marcas de anos a anos, sai do passo a passo e vai para passos largos, nem sempre bem pensados, nem sempre bem vividos. Nem sempre bem vindos. E por vezes nos assusta. 

Mas voltando ao tema - volta ao lar -  descobri que minha casa é meu porto. Não a casa em si, simples sobreposição de objetos, palco passageiro de me ser, mas quem habita dentro dela. E dentro de mim. Longe dela, navego, porque é preciso, pois a vida nada mais é que isso: por o barco na água do dia e ver no que dá, se peixe ou nada. Ver onde dá. Ir além e voltar. Viajar é bom, por vezes necessário, não escolha,  mas saber que se tem para onde voltar , e que esse voltar será pleno - mesmo que o mesmo de sempre ( estaria ai o seu real valor?) - não tem preço que pague. Não tem porto mais seguro, mais iluminado. Essa calmaria interna, esse sossego de alma, esse saber-se inserida e amada num mundo menor, não tem preço. Não tem preço ver o brilho no olho do amado, a alegria nos rabinhos dos cachorros.Não tem preço sentar e escutar as peripécias do dia, nem tem preço o meu silencio em escutar amorosamente a mesma coisa , contada tantas vezes e ainda tão boa de ouvir, feito os contos dos livros de infância.  Pode-se, até, adiantar as falas de tão batidas. Mas é nesse "batido" que reina uma paz indescritível...

Estava longe. Mas estar ao lado de meu filho também me enriquece. É um outro amor, mais leve, porque já tem lá seu próprio barco, seu próprio navegar. Talvez eu seja o seu porto. Mas isso dava outro texto...
 menina faceira, rio de minhas aventuras com as palavras e dou uma de Fernando Pessoa: navegar é preciso. Mas aportar é melhor...

Um comentário:

  1. Joyce,
    Os seus textos repleto de emoção ,não sei ser estou me expressando certo qdo lei o tenho vontade de ler mais e mais .
    Obrigada por tudo.
    Mil Bjs Monica B castro

    ResponderExcluir