domingo, 6 de outubro de 2013

Desperta




Domingo. Quem me conhece um pouco que seja sabe o quanto gosto dele. Mais ainda desse silêncio matutino, quando a casa e todo que a cerca ainda estão adormecidos. E muito mais ainda tendo como companhia o mar. Hoje sou eu e o mar,esse complexo mar que me traz seu canto, sua luz, sua forte imagem. Olho para essa grandeza toda e me sinto mínima. O que posso eu diante dele? O que sou diante desse universo todo que parece não ter tempo nem lugar? Veio em minha mente, quase que como resposta, o  pensamento de Madre Tereza de Calcutá

"Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. 
Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota"

Acordei com um universo de pensamentos em mim.Um mar de pensamentos revoltos feito ondas.
Minha mente viaja. E a deixo partir, porque sei que vai voltar, melhor e mais forte. Lembro de um texto espirita que estou lendo sobrea Gênese, sobre a grandeza do Universo, da Terra, dos mares. Até o enorme mar é uma gota dentro do projeto todo. E se eu for me ater a esse mais que complexo projeto, ah, sou nada. Uma partícula tão insiginificante, tão "nada".Mas sou. Somos. Madre Tereza tem razão: somos um mínimo, sim, mas fazemos parte de um Todo. E sem esse "nada " que somos, a vida , essa vida, não seria a mesma. Sem uma só gota, esse mar enorme em minha frente , para onde olho e  não vejo o fim, seria incompleto.E se pensarmos como gosto de pensar, que são tantas e tantas Terras por ai bem vividas, e tantas  e tantas vidas nesse mesma Terra e mais tantas e tantas vidas fora dela que eu mesma já tive - e terei -  que essa vida de agora, esse momento meu, que imagino enorme, tudo um átimo. Eu, um mundo todo à parte, eu mesma um universo em constante transformação - desde as células aos muitos pensares - e ao mesmo tempo tão pouco. Eu, ser único e essa vida uma passagenzinha de nada. Mas uma passagenzinha de nada que se pretende melhor do que foi, e melhorando tudo que haverá. 
Complexo? Simples, se pensarmos no todo que é. Mas assim é essa vida e a sucessão delas. Um passeio pelas "terras", onde a nossa única tarefa é fazer-se melhor, caminhos e nós. Viver melhor cada momento -  ele, sim, um minúsculo tempo. Dar para essa vida o que temos de bom. Ser melhor a cada segundo, a cada batida de nosso já meio cansado coração. Fazê-lo vibrar da melhor forma possível. Um eterno ( porém  pouco) acerto, ajustamento, crescimento, se possível. Minusculo, mas insistente crescimento, quase imperceptível, mas que alguma coisa há de melhorar. E como se diz por ai, só se cresce de duas formas: pelo amor ou pela dor. Eu escolhi crescer pelo amor, que pode ser visto como um caminho fácil, mas não é. Amar não só os que amamos, os que nos amam, os que queremos ao nosso redor. Amar assim é festa. Amor em seu sentido mais amplo: amar a quem não temos nenhuma afinidade - e quem sabe nem conheçamos - ou, mais forte ainda, amar a quem odiamos, como já lemos tantas e tantas vezes sem nem entender - ou mesmo querer entender , grande lição. Pois é esse outro amor que nos faz crescer, evoluir. Entender os ciclos, as passagens. E, quem sabe, na próxima tentativa de vida, estar mais apaziguado consigo mesmo.E com o mundo.
Mas nesse vida quero amor. Não, não é fácil aos meus olhos pequenos, ao meu curto olhar. Pede desprendimento, coisa para o que não somos preparados - e nem queremos. Pede desapego, da qual já falei tantas vezes que parece um mantra. Desapego não só do necessário, mas do todo. E desapego de nós. Desapego de sonhos que um dia foram sonhados sem nem se saber porque, ou para que. E nessas horas pensar que tudo que nos acontece é por conta de nossas escolhas, tantas e tantas no dia, quase infinitas na vida, nas vidas. Pensar que tudo é o mais puro merecimento. E se não alcançamos os sonhos tão sonhados, se foi porque escolhemos errado os sonhos. Ou se pegamos o mesmo caminho de sempre esperando chegarmos em outro lugar...
Sinto na pele o sol que entra. O dia amanheceu em paz. O mar que parece o mesmo, é constante movimento, constante vida. Não para para pensar. É. E nesse é, muito. Talvez se dê conta de que , mesmo sendo muito, nada é. 

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