segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Máscaras




Hoje estou num dia cheio de "nãos" e de "talvez". Talvez porque a gente , os otimistas incorrigíveis como eu, espera muito da vida e se assusta quando não dá. Mas eu prefiro um belo e sonoro "não", se for esse o caso, do que um "pausático"  "talvez".É como se o tempo ficasse parado esperando a terra voltar a girar. Historinhas do tipo " o gato subiu no telhado" não se sustentam frente a minha impaciência e transparência: o gato, no meu caso,  logo cai do telhado, nem que seja eu quem o tire de lá. 
Prefiro a tragédia de um ato do que drama interminável de novela ( coisa que detesto!). Os talvez  - e toda a sua família transgênica do "quem sabe", do "pode ser", do "vou pensar", do "amanhã te digo" me matam po dentro, deixam uma incerteza no ar que não gosto. Me deixam stand by, coisa que não sei ser - e nem quero para mim. Prefiro, nesse caso da vida real, o preto no branco. Fujo das nuances de cinzas, mais ainda dos infindáveis cinquenta tons. Parecem dia nublado, em que o sol fica naquele "vai não vai" , vou não vou", se escondendo por detrás de nuvens. Vai ou não vai? Sim ou não? Já falei muito isso, mas pouca gente acredita, dada a minha tanta poesia que sai da boca: sou prática. Direta. Curvas, para mim, só em passeio pela serra em dia fresco de verão - e sem neblina, por favor! Ou em bela estrada de chão quando saio sem destino e sem pressa, respirando o ar puro das manhãs.  Ou desviando dos tantos banhos que o mar tenta me dar em minhas caminhadas? Acho tudo isso divertido...

Hoje foi um dia recheado de nãos e de talvez. Pareciam recheios de sanduíche que não se sabe o que tem. Mas não me derrotou. Deve para isso existem os dias, muitos, e uma noite entre eles: para que a gente tenha tempo de esquecer o que "não deu" e tente tantas e tantas outras vezes...Talvez o talvez venha de outra forma, mais poético. Quem sabe o não vem numa frase de amor...talvez assim seja, talvez assim fosse, talvez tudo não passasse de brincadeira, avida comigo e eu com ela?

"Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada 
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser..."
Álvaro de Campos

Há, sem dúvida, quem ame a dúvida...mas eu, não!


3 comentários:

  1. Dúvidas drenam a energia vital... Nos esvaímos nelas, e nada acontece ou se esclarece. Não às dúvidas!

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  2. Dúvidas drenam a energia vital... Nos esvaímos nelas, e nada acontece ou se esclarece. Não às dúvidas!

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