domingo, 6 de outubro de 2013

Tum - tum - tum




"O tempo é sempre invariável. Nós é que mudamos dentro dele.
  E é disso que é feita a vida Não de tique-taques. Mas de tum -  tum -  tuns"

Escrevi isso faz um tempo. Veio sei lá de onde, esse mundo interno no qual passeio como quem caminha por entre a mata densa dos pensamentos e, volta  e meia, vê um pouco de luz, faixo breve de sol. Um breve aquecimento de alma. Um breve despertar. Com se meu eu interno respondesse a tantas  e tantas indagações que em mim fazem morada. Meu mundo interno parece mais um albergue, pousada breve de tanto entra e sai, tanto mudar de ideia. Outras fazem nele morada eterna . Um eterno que pode durar anos sem que eu mesma perceba sua permanência em mim. Quem sabe virou "da família"? Tenho pensamentos que, se revelados,  eu mesma me assustaria. Não pela profundeza e sim,  muito ao contrário: transparentes como água cristalina de riacho de pedras. Tão ali, na cara, tão ingenuamente simples que me taxariam de louca. E não é esse nosso maior medo, sermos taxados de algo? Vivemos em prol do que pensam  ou venham a pensar de nós. Vivemos para agradar ao outro , primeiros aos pais, quem sabe avós, depois os amigos, os patrões, mais tarde os amantes, um dias os filhos, quem sabe aos netos. Para satisfazer as expectativas do mundinho ao redor, nem que para isso se mate um  pouco - ou muito - do que realmente somos. Ou queríamos ser, se deixassem. Se deixássemos. Se tivéssemos coragem o bastante. Se, essa mera "conjunção subordinativa condicional"  nos condicionando tanto... Parece mais um futuro impossível. 
O tempo, ah, ele passa, vai em frente, sem nem olhar para trás. Segue sua cadência monótona e chata, que dá sono.  Preferia viver vida em meu próprio compasso. Sentindo meus batimentos cardíacos, as faltas de folego de tanto rir, o alívio depois de chorar - de dor, tristeza ou encantamento. O disparo dele ao menor olhar de mar do amor. No caminhar a beira mar, ou olhando as matas ao redor de mim, tanto faz. Ao ouvir canto de pássaro qualquer. Gosto de sentir a pulsação da vida correndo nas veias. Gosto de me saber vivendo mais e mais. Não importa o que, não importa como. Importa que sei onde quero chegar...Liberdade deve ser poder viver a vida que escolhi e  no meu ritmo, no meu tum -tum - tum, sem relógios ou condicionamentos - ou expectativas -  a me guiar.



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