terça-feira, 8 de julho de 2014

Maduro



Está certo...você já ouviu falar disso. Leu, até gostou, mas pensou entre seus botões: essa conversa não é comigo:  
...o amor tem que ser laço, não nó... 

O laço é coisa bonita, enfeite do bem. Abraça o presente, embeleza a vida, traz surpresas para lá de boas. E fica aquele tum-tum-tum entre o que se espera e o que nos vem. E se a gente não souber desatá-lo bem, cheios de expectativas enormes e até fora, por vezes, do mundo real, não imaginária ou sonhado, vira nó. Se a gente vivê-lo na euforia, abrir o embrulho sem nem pensar, apenas com a emoção, o que parecia enfeite vira coisa difícil de desatar. Afoga o presente, amassa o pacote, rasga a cara, amassa a presença. Sufoca. Pode até matar o amor de laço. 
Amor de laço é calmo. Vem com o tempo, amor de vivência. Meu amor vive o outro e , sábio, nada espera. Não tem o calor,  por vezes sufocante e embriagador, da paixão, que queima o papel do presente antes mesmo de vivê-lo inteiramente. Antes mesmo de conhecer o que ele tem por dentro. Que rasga e escancara antes mesmo de sabê-lo seu, ou não. 

Amor de laço primeiro se enlaça com quem presenteia, vira abraço demorado, terno, eterno no minuto em que cabe. Foge da escala do tempo, pára o relógio das horas. Troca o olhar devassador pelo olhar terno. Não despe, mas veste sua melhor roupagem. Faz do caminho do que se pensa ao que se tem bela caminhada sem pressa, mãos dadas entre quem dá e quem recebe. 
Mas, quem disse que fazer laço é fácil? 
Nó é travesso e atravessado: só puxar, trava o traço. Enforca e é enforcado. Queima o descuidado. Laço é delicado, manso, desenha no espaço. Feito dança, tem compasso, fala mansa, olhos de ver. Amor de alma, mas não de amante, efervescente. Gosto de bolo com leite. Calor de aconchego. Colo manso.
Meu bem querer...mas só vem com o tempo, quando se sabe o que se quer viver... 

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