domingo, 17 de agosto de 2014

Mais minha




O que mais me encanta em um bom filme, muito além da história que conta , da profundeza dos personagens e das lindas imagens que mostra, são os textos. Palavras bem colocadas me encantam...faladas, escritas, gravadas em mim...

E hoje foi a vez de rever "Elizabeth, the golden age", sobre o incio do reinado da rainha Elizabeth, da Inglaterra, em plena luta contra a tirania  do imperialismo espanhol, em nome de uma da tantas  e tantas guerras "santas" que de santas nada tem...
E, como não poderia deixar de ser, foi de lá que tirei esse texto sobre coragem:
"As forças que moldam o nosso mundo são maiores que todos nós. Quando a tempestade irrompe, cada um age conforme a sua natureza. Alguns ficam mudos de pavor. Alguns fogem. Alguns se escondem. E alguns abrem as asas como águias e alçam voos. " 
Parei para pensar , ainda assistindo ao filme, que tipo de "rainha" eu seria. Que tipo de "rainha" eu sou. Não nascemos de um jeito para morrer da mesma forma. Isso seria involuir ou, pelo menos desprezar a  máxima da vida que é crescer - e não só de tamanho, e não só para os lados...E se me pego pensando no apelido que minha mãe me dava, de "calmante" pela minha capacidade, ainda uma menina, de acalmar meu pai, de distrair o olhar dele ara coisa melhores, mais amenas...Os das vezes que, ainda mocinha, apartei brigas, segurei palavras, limitei atos que, se feitos, pegariam um caminho sem volta. Depois passei por um longo período de intolerância com tudo que achava não certo para mim. Relutava em conversar, pegava outro caminho se aquele se achasse , aos meus olhos de "mulher do mundo", ou rainha do meu, desinteressante. E hoje vejo que a tolerância e a compreensão  verdadeiras das coisas teriam me levado por , talvez ( na vida sempre há muitos deles) , belos caminhos. Quando a gente vive momentos que, volta  e meia, mesmo passados bons anos, povoam, vez por outra, nossa mente já atolada de lembranças, gaveta cheia, é sinal nítido que eles fizeram diferença em nós. 

E hoje, bem ou mal, sinto-me muito bem com minha nova roupagem. Fica mais leve a cada ano. Fico mais leve a cada ano. Um peso inversamente proporcional a leveza  que vejo na balança e ao numero de velas que tento soprar uma vez ao ano. Coisas de importância  - geralmente as não tocáveis - ganham importância. E outras, tantas e tantas que eu levava a sério, hoje me educo. Leveza, isso que tenho procurado, mesmo que eu mesma ainda não saiba por completo. E isso tem feito eu suar de leveza na fala, nos gestos, das delicadezas que dou ao meu mundo. Na comida que ponho em meu prato. Na roupa que visto, cada vez mais minha. Nos meus gestos, cada vez menores em atos, e cada vez maiores em valor. Nesse amor que sinto que se transforma cada dia um pouquinho mais e  deixa de ser posse e razão para ser mais liberdade e emoção.  E nos momentos de tempestades - e tenho atravessado tantos -  o susto ainda me pega. O medo também, mas acho que ele me salva de mim mesma, me salva dos erros do passado. A tempestade me assusta, mas não me intimida. Estudo a situação, monto a estratégia de sobrevivência  e  respiro fundo. E tento sair do lugar. talvez ainda longe da destreza e força das águias, mas já  de asas prontas para voar. Se não para longe, feito fuga, para o mais perto que  dê  para chegar. No meu tempo, no meu lugar, de onde, vendo de longe, a tempestade tem outra cara, menos assustadora, mais minha...

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