quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Rumo




E eis que hoje, voltando para casa por caminhos conhecidos - mas sempre admiráveis - e  conversas que não me levaram a lugar nenhum, a não ser ao acesso rápido ao mundo das tristezas, lembrei-me da frase atribuída a Chico Xavier ( sim, atribuída, já que deve ter vindo através de um espírito amigo):
"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”. 
Tomei caminhos por pura paixão, feito marujo de primeira viagem sem destino, seguindo o  capitão. Paixão de alegres olhos azuis e paixão pelo desconhecido, pela aventura., pelo novo depois de anos de mesmice do nada em minha vida. E me deixei levar, feito balanço gostoso do mar quando se boia. E engraçado que, desde pequena, aprendi a ver os perigos do mar mesmo antes de colocar uma ponta de pé na água. Minha falecida vó ensinava a molhar punhos e nuca antes de se jogar. Outra, a me benzer antes de mergulhar. Com a  permanente convivência, aprendi a ver onde tem repuxo só observando o mar ao longe e como isso se desenhava dentro dele, para onde ele levava as águas mais distraídas - e as pessoas também. Com minha mãe aprendi a ver tempestade bem antes dela chegar, e observar toda a sua força e beleza quando já em lugar protegido. Aprendi a respeitar o que é 
mais forte e maior que eu.

E eis que, muitos  anos depois, entrei num barco e me deixei levar. E hoje, vendo o que faltou do sonho e sobrou de realidade, agradeço a Deus pelas tantas saídas que me tem mostrado para que a maré não me leve mar a dentro. Será uma dura viagem, muitas vezes solitária, muitas vezes ao desconhecido, sendo eu minha própria capitã. Serei capitã e marujo de mim mesma,  tomando decisões, pegando novas rotas, acertando novos rumos de navegação. E , quem sabe, olhando o céu em busca de respostas.

Chico  - ou seja lá quem for - tem razão. Não dá para voltar atrás e pegar um novo rumo, um novo começo. E de nada adianta carregar meu navio de tristezas, de mágoas, se o capitão se lançou ao mar. O jeito agora é tomar conta da nova paisagem, conhecer bem os novos mares  e dar o melhor de mim para "chegar lá". Um "lá" que pode não ser nem de perto o que imaginei, mas terra firme.

Então, me animo, lembrando do pirata Walshingam, no filme Elisabeth,  falando tão poeticamente sobre a emoção da descoberta de novas terras, d e um novo mundo:

"Pode imaginar o que é atravessar o oceano...durante semanas não se vê nada além do horizonte perfeito  e vazio. Você vive no domínio do medo. Medo de tempestades. Medo de doença a bordo. Medo da imensidão. Então, direciona esse medo lá para o fundo do seu ser. Estuda os mapas. Observa a sua bússola. Reza por um bom vento.  E tem esperança. A pura, nua, frágil esperança. De inicio, não é mais que uma bruma no horizonte. E você fica observando...observando...Depois é uma mancha, uma sombra n’água distante. Por um dia. Por mais outro dia. A névoa lentamente se espalha ao longo do horizonte, tomando forma, até que, no terceiro dia, você se permite acreditar...atreve-se a sussurrar a palavra: terra. Terra. Vida. Ressurreição. A verdadeira aventura saindo do vasto desconhecido, da imensidão,  para a nova vida."

Esperança...a pura, nua, frágil esperança. Isso me move. Mesmo sem piratas, mesmo sem ser rainha de nada, mas já em novas terras, dando o melhor de mim... 

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