sábado, 11 de abril de 2015

Verdade



Vendo ao meu redor formas de melhorar,  de algum jeito, a vida de alguém ( e não necessariamente alguém que você conhece - ou conhece, mas não intimamente, o que faz muita diferença), que pode ser uma prece de coração, uma simples conversa, um bom encaminhamento, um bom conselho  - dizem que se damos aos outros, estamos precisando dele - sinto que ai se esconde um grande tesouro. Um tesouro que se abre até mais para mim que para o outro.  Seria esse o tal amor ao próximo, incondicional? 

Coisas que a gente atrai porque precisa. Porque precisa mais que o outro. Porque precisa aprender com a vida. Como uma forma de desviar o olhar do próprio umbigo e olhar para o lado. Olhar para a frente - ainda mais para quem tem um olhar para trás que nada traz. 
Isso me fez voltar ao tempo. Um tempo que fui chamada a ajudar a uma pessoa em estado crítico no hospital, pai de uma amiga. Fora internado na mesma cidade onde eu morava e trabalhava - e longe da cidade dele, da casa dele, da família. Meu "trabalho" seria apenas de visitá-lo quando possível, eu já numa vida do tipo atribulada. Conversando e  observando, via os pratos de comida do hospital voltarem intactos para a cozinha. Descobri, por minha conta, que ele só conseguia engolir coisas moles e doces. A mastigação precária, o engolir doía, o sal ardia. E foi essa a primeira vez  - e última, diga-se de passagem - que me aventurei no mundo dos pudins, das sobremesas a base de gelatina, dos mousses. E como saiam bonitos,com aquele ar de "pudim de propaganda"! E como saiam saudáveis! E como saiam saborosos! Com certeza, mão de Deus. Ou de um anjo incumbido de me ajudar a não fazer tanto fiasco....

O tempo passou e ainda lembro disso com muito carinho. E me faz pensar em duas coisas: Uma é que, sim, podemos. Conseguimos. Somos capazes das maiores proezas se tivermos boa vontade, esse "gás" que nos impulsiona o corpo e a alma ( seria melhor dizer a alma e o corpo...). Apesar de que me parece, sem demagogia, ser muito mais fácil fazer pelo outro que por mim mesma...Outra é que a verdadeira alegria vem dai, desde desprendimento, dessas oportunidades de se ter o olhar mais aberto, mais amplo, até um ponto onde o "eu" fica totalmente desfocado. Saem dai nossas melhores fotos, nossas melhores lembranças, nosso verdadeiro crescer...

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