quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Que seja novo!







Passou o Natal, muita gente de férias, Ano Novo batendo à porta. Deveria ser um tempo de reflexão - apesar de tudo isso, as datas, os dias, os anos, serem mera convenção - mas como fazer isso, nessa correria de casa cheia ou viagens para cá e para lá,  e uma vontade enorme de viver tudo que não foi vivido no ano que passou? 
Guarde um tempo para você. Melhor dizer: dê um tempo para você. Esse pode ser o seu melhor presente. Convenção ou não, é um novo ano que se inicia. E esta pode ser a sua oportunidade de rever as coisas - e de se rever. Primeiro, esvazie-se. Não tem como colocar coisas novas numa pessoa "cheia" ( lave a xícara antes de provar um novo chá, dizem os orientais). O que não quero mais para mim? O que não me serve mais? Coisas, hábitos, sentimentos...pessoas...Pode começar em uma boa limpeza de armários. Doe o que está lá, só ocupando espaço.  Arrume ou reforme o que está estragado.  Lave as roupas a serem guardadas, separe novas opções para a nova estação, monte novos looks, lance um novo olhar. Se olhe no espelho e se veja por inteiro. Mas faça você mesmo - e sozinha/o. Quando revemos o que temos, revemos quem somos ou quem gostaríamos de ser.  Descartem, na medida do possível, o trabalho que estressa e escraviza. Ou, pior, o relacionamento que engessa. Decididamente, você tem que sobreviver - mas viver é muito mais que isso, não?

"Casa" esvaziada, é hora de acrescentar: o que faria você mais completa/o? O que me faria ser mais eu? O que posso dar ao Universo para fazer a diferença? Dai a fazer uma lista de promessas - destas tantas que fazemos e engavetamos por ai - é um pulo. Mas seja sincera/o. Mentimos muito para nós mesmos. Fuja das promessas vazias. Promessas pedem comprometimento. Emagrecer pede planejamento. Comprar apartamento também. Parar de comer tanto chocolate pede empenho, mas bem menos de que tantas outras promessas.  Levar a sério uma promessa é se levar a sério, pense nisso. Por isso, não exagere. Não prometa o impossível o improvável. Comece devagar, sem ser radical. Não torne a promessa muito rígida. Subir as escadas de uma igreja de joelhos é promessa para um dia - não para um ano todo!

Outras promessas que precisam de outros - como um bom emprego - podem nos frustrar. Mas se for para melhorar o relacionamento, seja com pai, mãe, filhos, companheiros,  que tal uma franca conversa, a tal DR, de que todo mundo foge? Tem medo de falar? Que tal escrever? Escrever nos abre a alma, e temos o tempo para reler, rever, reescrever até que fique perfeito - ou quase. Faz o efeito daquele conhecido " contar até dez", antes da explosão fatal. ou, como ensinam por ai, encher a boca de água até passar a raiva. Lembre-se que o que sai da boca, leva junto toda a anergia do som, e não volta mais. Mas nunca, nunca se cale. Calar-se deixa o rancor por dentro, puro veneno. Se não tem coragem de entregar o todo escrito, meia terapia feita - o que já é um bom começo!

Eu dividiria as tais promessas em  tipos: o que devo fazer por mim, pelos mais próximos e pelos "outros", os tais "próximos" de que todas as religiões tanto falam. O que devo - ou melhor falar posso ? -  fazer por mim vai, com certeza, melhorar minha interação com os "próximos". Se emagreço, me amo mais - pela aparência, pela saúde e por ter alcançado meu objetivo  - e isso  reflete - ou deveria refletir -  no como sou com os outros. E, mesmo sem perceber, quando convivemos melhor com os outros,  estamos melhor conosco mesmo. 

E se você ainda não sabe a delícia de ser mais solidário, compreensivo ou , indo além, mais caridoso com os que você não conhece "ainda" ( um bom dia pode mudar tudo e  escutar revoluciona o mundo!) , faça uma escolha como a minha: faço de meu "trabalho" voluntário em um asilo um "lazer" voluntário. E nem precisa muito. Dar atenção e escutar já está de bom tamanho. Importar-se com o outro nos muda muito. E chego a conclusão, depois de quase um ano dessa maravilha transformadora, que eles fazem mais por mim do que eu por eles! Saio melhor do que entrei, sou melhor hoje do que há um ano atrás. Aprendi a entender essa fase da vida de que fugimos todos os dias, andando em sentido contrário à vida mas que será nosso "fim" , sem dúvida. Ou seria um recomeço?

Ano Novo está ai. Mas para que se faça jus a esse "novo", temos que começar dentro. 

E antes que se perguntem o que prometi para mim, entre uma lista que ficou pequena, mas focada,  prometo "me" escrever mais. Minha terapia abandonada por achar que não tinha nada a acrescentar, nem a mim, nem a ninguém...Ledo engano, não?

Um comentário:

  1. Obrigada, Joyce! Nunca tinha parado pra pensar sobre o "se levar a sério".

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